O presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva defendeu a livre circulação das populações de migrantes no mundo, estimando que medidas discriminatórias e repressivas são ineficazes, no prefácio de um livro que acaba de ser publicado pela Emmaüs International, em Paris.

"O grande fosso cavado pela desigualdade na distribuição de riquezas entre nações não será preenchido com medidas discriminatórias e repressivas; os que pensam e agem assim se enganam", afirma Lula no texto "Visto para o mundo: pela livre circulação dos migrantes", numa tradução literal.

"A luta pela vida e a sobrevivência estará sempre além de não importa qual medida discriminatória, tirando-lhe toda a eficácia", estima o presidente brasileiro.

"Há, no final de contas, um só remédio ante o medo do imigrante e contra a xenofobia que invade nos nossos dias um bom número de países e de populações: construir uma nova relação entre nações que ponha um ponto final ao protecionismo vil assim como a exploração gritante que lesa os países pobres", acrescentou.

Lembrando que o Brasil é uma "nação formada por imigrantes", ele escreve: "somos não apenas um povo de misturas mas, o que é mais importante, gostamos de ser assim".

"Tiramos desse processo de encontro entre culturas e populações nossa identidade, nossa força, nossa facilidade para o diálogo e nossa abertura ao outro, nossa alegria de viver, nossa creatividade e nosso talento", prosseguiu Lula.

O livro publicado por ocasião do dia internacional dos migrantes, no dia 18 de dezembro, contém depoimentos de 150 pessoas vindas de 20 países diferentes, imigrantes, dirigentes de associações e assistentes sociais.

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