Lula decreta luto oficial de três dias por morte de Kirchner

Presidente lamenta morte de "grande aliado" e "fraternal amigo" e destaca empenho do argentino pela integração sul-americana

iG São Paulo |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou nesta quarta-feira luto oficial de três dias em função da morte do ex-presidente da Argentina, Néstor Kirchner. Em nota, Lula divulgou destacou a atuação de Kirchner pela integração sul-americana.

“Sempre tive em Néstor Kirchner um grande aliado e um fraternal amigo. Foi notável o seu papel na reconstrução econômica, social e política de seu país e seu empenho na luta comum pela integração sul-americana”, diz o texto.

Segundo Lula, ele e o governo receberam consternados a notícia e os brasileiros "se associam à dor dos cidadãos argentinos neste momento difícil".

Lula foi informado sobre a morte de Kirchner depois de participar de uma cerimônia no Porto de Itajaí, em Santa Catarina, e ainda não está definido se ele irá ao enterro do ex-presidente ou se enviará um representante.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que está "chocado e consternado" com a notícia. "O presidente Kirchner se empenhou muito na boa relação com o Brasil, na boa relação com o presidente Lula e, inclusive, na integração sul-americana", afirmou. "É uma grande perda, seguramente para a Argentina e para a família, mas também para toda a América do Sul".

Néstor Kirchner morreu nesta quarta-feira, aos 60 anos, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Kirchner e sua mulher, a atual presidente argentina, Cristina, estavam desde o fim de semana em sua casa em El Calafate. O presidente teve de ser internado às pressas no hospital na cidade.

Com problemas cardíacos, Kirchner já havia sido submetido a duas cirurgias de urgência neste ano, em fevereiro e setembro, após serem detectadas obstruções em artérias coronárias.

Kirchner foi presidente da Argentina entre 2003 e 2007. Atualmente, era secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Ele começou sua vida política em 1987, quando foi eleito prefeito da cidade de Río Gallegos, na Provícia de Santa Cruz. Ele conheceu a esposa, Cristina, durante a juventude e em 1975 os dois se casaram. O casal tem dois filhos, de 34 e 21 anos.

Enquanto Cristina já seguia carreira política em Buenos Aires, Kirchner foi eleito prefeito de Río Gallegos e depois, em 1991, foi eleito governador de Santa Cruz. Kirchner governou a província até 2003, após duas reeleições consecutivas, e foi esse cargo que impulsionou sua candidatura à presidência no mesmo ano.

Eleito presidente em 2003, Néstor Kirchner desistiu de concorrer à reeleição em 2007, apesar de estar em fim de mandato com uma popularidade de 50% - o mais alto nível de aceitação desde a restauração democrática, em 1983.

Na época, analistas políticos especulavam que ele havia favorecido Cristina Kirchner, que então ocupava uma cadeira no Senado, com a perspectiva de voltar ao poder em 2011 e garantir ao clã pelo menos 12 anos consecutivos no poder. Mas as chances de o plano dar certo diminuíram com a queda da popularidade de Cristina, que se elegeu em 2007 com a maioria de votos em todas as regiões da Argentina, com exceção de Buenos Aires, a área mais rica e populosa do país.

Os bons índices de popularidade do início do mandato caíram pelas denúncias de corrupção contra o casal, pela incapacidade de controlar a inflação e pela tentativa de cobrar um imposto agrícola que desatou um conflito de meses com os ruralistas em 2008. Como é considerada marionete do marido, os desacertos do governo Cristina acabaram manchando a reputação de Kirchner.

Com Ansa e Agência Brasil

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