Lula: Cúpula mudou lógica política ao incluir países emergentes

Rio de Janeiro, 17 nov (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que a cúpula entre os chefes de Estado do Grupo dos 20 (G20), realizada no sábado em Washington mudou a lógica das decisões políticas mundiais ao incluir pela primeira vez os países emergentes entre os que opinam e decidem.

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Lula, em seu programa semanal de rádio "Café com o presidente", afirmou que, além de decidir algumas medidas para enfrentar a crise financeira global, os chefes de Estado dos países mais ricos e dos emergentes também se comprometeram a finalizar este ano a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"A reunião foi importante porque muda a lógica das decisões políticas. Já não são apenas os membros do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo, mais a Rússia) que decidem. Agora o G20 ganha um papel destacado", explicou Lula.

"E foi unânime entre todos os líderes que a correlação da política mundial precisa ter a participação não só dos países mais ricos, mas também dos emergentes, dos países em desenvolvimento, de grandes populações", acrescentou.

Segundo o presidente, a reunião em Washington, a qual classificou como "um marco na história do século XXI", é o passo mais decisivo dado nas últimas décadas para aumentar a representatividade dos fóruns internacionais.

"Estou convencido de que participei da reunião de líderes de países mais importante entre todas às que compareci. Na hora de tomar grandes decisões, o G20 se tornou um fórum importante. Por isso acredito que estamos no caminho certo para superar esta crise e evitar outras", ressaltou Lula.

"Finalmente todos os países concordam que precisamos tomar decisões coletivas para evitar que a posição de um possa prejudicar a de outro", afirmou.

O presidente brasileiro afirmou ainda que foi a primeira vez em que os líderes dos 20 países que representam mais de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial se reuniram para debater uma crise econômica.

"Também assumimos o compromisso de, até o fim deste ano, concluir a Rodada de Doha: chamar os países que têm divergências, colocá-las na mesa e estabelecer um acordo, que seria um sinal muito importante para que o mundo todo saiba que os dirigentes políticos atuam com responsabilidade, estão preocupados e tomam decisões", afirmou.

Sobre as principais medidas definidas na Cúpula, Lula citou três e disse que a primeira foi o compromisso de restabelecer a liquidez e restaurar a confiança no mercado financeiro, já que "todos sabem que sem crédito é muito difícil que a economia funcione", analisou.

Além disso, lembrou que há um mês Brasil vem adotando medidas para injetar recursos no sistema financeiro e garantir o crédito.

A segunda, acrescentou, foi a decisão de adotar políticas anti-recessivas para evitar uma desaceleração no crescimento econômico mundial ou uma forte contenção, como já ocorre em alguns países europeus.

Como terceira medida importante, citou o compromisso de regular o sistema financeiro para não permitir que ele continue atuando isolado da economia real, "ou seja, funcionando como um cassino e se esquecendo de que deve ajudar o setor produtivo". EFE cm/ev/jp

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