Lula criticará intervenção externa na Bolívia em reunião da Unasul

Eduardo Davis. Brasília, 14 set (EFE) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá amanhã à cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para debater a grave crise boliviana, mas deixará uma clara mensagem contra uma possível intervenção do órgão em um conflito interno do país vizinho. Ao contrário de outros líderes, Lula não pareceu muito convencido da necessidade da cúpula extraordinária da Unasul, que acontecerá amanhã, em Santiago do Chile. Embora o presidente tenha explicado que faria consultas com outros chefes de Estado para saber o motivo da reunião e depois decidir se participaria dela, fontes oficiais informaram hoje à Agência Efe que Lula deve viajar do Rio de Janeiro para a capital chilena nesta segunda. A mensagem a ser levada à cúpula não mudou e é a mesma antecipada pelo próprio Lula no sábado a jornalistas, informaram fontes consultadas pela Efe. Essa reunião só faz sentido se houver um pedido da Bolívia e uma proposta. Se as duas partes não estão pedindo que nos reunamos, caso tomemos uma decisão e depois nenhuma das partes a aceite, a reunião será inútil, disse Lula no sábado, ao expressar suas dúvidas sobre a cúpula.

EFE |

O encontro foi anunciado na sexta-feira à noite pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e confirmado no sábado pela chefe de Estado chilena, Michelle Bachelet, que exerce a Presidência de turno da Unasul.

"É importante deixar claro que não temos direito de tomar nenhuma decisão sem a concordância do Governo e da oposição da Bolívia", pois "são eles os que devem dar o paradigma de nossa participação", afirmou Lula.

Do contrário, "será uma ingerência em outro país, e isso o Brasil não fará sob hipótese nenhuma", destacou.

A posição de Lula é completamente diferente da de Chávez, que, após oferecer "apoio armado" ao Governo de Evo Morales, se envolveu em polêmicas com o general Luis Trigo, comandante-em-chefe das Forças Armadas bolivianas.

"Ao presidente da Venezuela e à comunidade internacional dizemos que as Forças Armadas rejeitam enfaticamente intromissões externas de qualquer índole", declarou Trigo esta semana sobre o "apoio armado" oferecido por Chávez.

Depois, o chefe de Estado venezuelano admitiu que sua posição seria uma ingerência em assuntos internos, mas ainda assim a ratificou. Em um ato militar, insinuou que Trigo e os militares bolivianos não dão todo apoio a Morales.

"Que bom seria ouvir o senhor dizer algo da ingerência grosseira e terrível do império americano em seu país. Que bom seria ouvi-lo dizer algo, general Trigo", ressaltou Chávez, que acusou o Exército boliviano de assistir de braços cruzados os distúrbios no país.

Chávez, no meio da campanha para as eleições regionais de novembro em seu país, encaixou os fatos ocorridos na Bolívia em seus embates ideológicos contra os Estados Unidos e expulsou o embaixador americano em Caracas, assim como Morales fez em La Paz.

Segundo diplomatas brasileiros consultados pela Efe, a intenção de colocar o conflito boliviano em um plano de Guerra Fria "incomodou" Lula, que condenou a violência no país vizinho e pediu diálogo entre o Governo Morales e a oposição.

Na mesma linha de Lula esteve a maioria dos chefes de Estado da região, como o colombiano Álvaro Uribe, para quem a Unasul deverá enviar "uma mensagem de prudência" e "de apoio à institucionalidade democrática" na Bolívia.

Para Evo Morales, a cúpula de amanhã será um claro apoio internacional a seu Governo em meio a uma das piores crises enfrentadas por ele desde que chegou ao poder, em janeiro de 2006.

"Não estamos sós, nem na Bolívia nem no mundo", disse Morales no sábado. Ele interpretou "a solidariedade" externa como uma defesa "da democracia e da unidade do povo boliviano".

A presença de Morales na cúpula da Unasul ainda não foi confirmada, mas representantes da oposição boliviana manifestaram sua intenção de comparecer e pediram que Bachelet aceite sua participação, para, assim, apresentar sua versão dos fatos aos líderes sul-americanos. EFE ed/rb/db

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