Lula critica UE por culpar Brasil por alta do preço dos alimentos

Lima, 17 mai (EFE) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje os países europeus por terem responsabilizado o Brasil pela alta nos preços dos alimentos.

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Além disso, Lula se queixou do fato de não terem sido discutidos na 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês) temas importantes como a escalada do preço do petróleo e a crise imobiliária dos Estados Unidos.

"Agora nós somos os responsáveis pelo aumento dos preços dos alimentos, mas ontem (sexta-feira) não vi nenhum companheiro europeu criticar o aumento do preço do petróleo", disse Lula.

O presidente, que iniciou hoje uma visita de Estado ao Peru, fez esses comentários durante o início do 2º Seminário de Oportunidades de Comércio e Investimentos entre os dois países e pouco depois do fim da Cúpula América Latina-UE, realizada em Lima.

"Pareceu estranho que nenhum europeu falasse ontem (sexta) da crise 'subprime' (créditos hipotecários de alto risco) e a verdade é que os bancos europeus também tiveram perdas muito grandes", disse Lula.

Diante de mais de 200 empresários brasileiros e peruanos, Lula ironizou, dizendo que se a crise tivesse acontecido em um país sul-americano, o "Banco Mundial já teria convocado 80 reuniões".

"Ninguém quer discutir as conseqüências do preço do petróleo e sua repercussão no preço dos adubos para a agricultura e no transporte da comida que produzimos, querem dizer que é o biodiesel", acrescentou Lula, que ressaltou que os biocombustíveis constituem "um investimento extraordinário".

O presidente afirmou que as agências de classificação de risco internacional sobem o risco-país das economias emergentes, mas, apesar da recessão econômica nos "Estados Unidos, nunca se sobe o risco-país" americano.

"Estamos preocupados com o aumento do preço dos alimentos, mas o que é preciso é que cada país os produza, como nós fazemos", disse Lula.

De acordo com o presidente, a "América do Sul vive um momento mágico".

"Eu não me lembro de um momento tão extraordinário de crescimento econômico, estabilidade econômica e política de inclusão social", disse.

Peru e Brasil "têm o mesmo desafio, superar uma pesada herança de injustiça e desigualdade que impediu nosso desenvolvimento", disse.

Segundo Lula, o Brasil conseguiu crescer mantendo a inflação em níveis baixos, expandindo o mercado interno e reduzindo a pobreza e as desigualdades.

Para o presidente, a aliança estratégica entre Brasil e Peru é um expoente do "firme compromisso da integração sul-americana", que há alguns anos seria impensável.

Ele ainda ressaltou que ainda há muito a fazer e citou as "desastrosas" comunicações aéreas no Brasil e na América do Sul, em geral.

"Não quero que os empresários aéreos pensem que o Estado vai criar uma empresa, mas se eles não têm ousadia, nós vamos ter que fazer algo", advertiu.

Diante do pedido do presidente peruano, Alan García, para que as empresas brasileiras aumentem sua presença, Lula se comprometeu a intensificar o investimento, que em 2007 foi de US$ 336 milhões, com um superávit comercial de US$ 700 milhões a favor do Brasil.

O presidente descreveu o Peru como o "campeão econômico da América do Sul" por seu crescimento sustentado, que só em 2007 foi de 8,2%.

Segundo Lula, até pouco tempo atrás a Petrobras e outras empresas brasileiras tinham a "síndrome do medo de ser grande", mas a petrolífera "não pode ter medo de exercer o papel que tem que exercer no mundo", destacou. EFE mf/rr/db

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