Lula critica países ricos ao sancionar lei que regulariza imigrantes ilegais

Brasília, 2 jul (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou hoje críticas ao tratamento que os países mais ricos dão aos imigrantes ao sancionar uma lei para regularizar os estrangeiros ilegais e pediu a seus governantes que sejam mais sensíveis e solidários com aqueles que só buscam um futuro melhor.

EFE |

Lula aproveitou o ato de assinatura da nova lei para alçar voz em nome de "latino-americanos, africanos, árabes, asiáticos" e "todos" os imigrantes que sofrem "preconceitos" nas nações mais desenvolvidas.

Segundo o presidente, "a migração irregular é uma questão humanitária que não pode ser confundida nunca com a criminalidade", pois "ninguém deixa sua terra natal porque quer, e sim porque necessita ou acredita que pode construir uma vida mais digna em outro lugar".

Lula lembrou sua própria história e a pobreza que obrigou a sua mãe, quando ele era ainda uma criança, a abandonar junto com todos os seus filhos o Nordeste e encarar uma viagem de cerca de 3 mil quilômetros para buscar um futuro melhor em São Paulo.

"Partimos em busca de oportunidades", declarou o presidente, que disse que por sua própria experiência está convencido de que "os países mais ricos deveriam ter um enfoque mais solidário sobre a questão da imigração".

Reiterou ainda um polêmico comentário que fez durante visita do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, em março último. Na ocasião, Lula declarou que a crise financeira internacional tinha sido provocada "por homens brancos e de olhos azuis".

Segundo explicou, com essas declarações pretendia denunciar "o que já se insinuava sobre a perseguição que os imigrantes poderiam sofrer" como consequência da crise no mundo mais desenvolvido. O presidente completou que tentava defender "os pobres que buscam uma oportunidade".

Lula sustentou que "se a crise prejudica a todos, com toda certeza prejudica mais os mais pobres", e pediu que "se crie um mundo sem fronteiras", no qual não só se permita o "livre trânsito" de "dinheiro, maquinarias e matérias-primas, como também de seres humanos".

A lei de anistia para os cidadãos ilegais sancionada por Lula estabelece que os estrangeiros que tenham ingressado no Brasil antes de 1º de fevereiro em situação irregular terão direito a solicitar uma permissão de residência temporária por dois anos, e que, uma vez transcorrido esse período, poderá se transformar em permanente.

O texto diz que "os estrangeiros beneficiados por essa norma terão os mesmos direitos e deveres que os brasileiros natos, com a exceção dos exclusivos a quem nasceu no país, como a possibilidade de se candidatar a cargos eletivos".

Em 1998, uma anistia similar permitiu a regularização de cerca de 40 mil imigrantes ilegais. Calcula-se agora que a nova lei pode beneficiar cerca de 200 mil estrangeiros.

Lula considerou o ato "uma oportunidade para sacudir a consciência e os corações dos dirigentes do mundo" em relação às migrações.

Anunciou que, na próxima semana, quando assistir à Cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia), dirá "aos líderes dos países mais importantes como o Brasil trata os imigrantes".

O presidente afirmou também que essa anistia "não significa que o Brasil deixará de ser duro com o narcotráfico ou o crime internacional", e assegurou que o combate às máfias não impede o país de "ser generoso com seres humanos de qualquer parte do mundo que querem construir um futuro".

No mesmo ato, Lula também assinou um projeto para uma nova Lei de Estrangeiros, com a qual seu Governo pretende "humanizar" a legislação em vigor, que data de 1980.

O projeto será enviado na próxima semana ao Congresso e, segundo fontes oficiais, pede a concessão de "um caráter mais humano à imigração" e contempla "a situação de milhares de estrangeiros que se encontram ilegais no país e são alvo de traficantes de pessoas ou de drogas, entre outras organizações criminosas". EFE ed/fr

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