Lula critica ineficiência de instituições financeiras

Genebra, 15 jun (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje, em Genebra, o fato de as instituições financeiras internacionais não terem receitas para superar a crise econômica mundial.

EFE |

"Vocês são testemunhas. Nas crises dos anos 80 e 90, o Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) tinham todas as soluções para os países pobres. Quando a crise afeta os Estados Unidos, o Japão e a Europa, (estas instituições) não têm a menor proposta para solucioná-la", disse Lula.

As declarações do presidente foram feitas durante seu discurso na Cúpula Mundial do Emprego, que acontece dentro da Conferência Internacional do Trabalho.

"Os grandes bancos e as instituições tinham avaliações e sabiam da situação econômica dos países da América Latina e da África. Mas não pararam nem cinco segundos para avaliar os próprios riscos", afirmou Lula.

"Primeiro, acreditou-se no Consenso de Washington; depois, nas propostas neoliberais, que o mercado administrava integralmente.

Agora, o Estado é o único que está salvando a economia", acrescentou.

O chefe de Estado também lamentou o fato de a comunidade internacional não ter conseguido chegar a um consenso na Rodada de Doha, que há oito anos busca a liberalização do comércio mundial.

"Esse acordo permitiria a redução das imensas subvenções que os países ricos concedem a seus agricultores e que minam a capacidade de produção dos países da África e da América Latina".

Para Lula, "chegou a hora de elaborar novas propostas, de cada autoridade política dar sugestões, de o G20 fazer propostas específicas e de haver um amplo debate na ONU" sobre a crise.

Segundo o presidente, é essencial que haja mudanças num sistema que até pouco tempo atrás "priorizava a especulação à produção e que, além disso, permite aos paraísos fiscais atuar com toda a liberdade".

"Isso é inadmissível num mundo no qual bilhões de pessoas têm dificuldades para comer uma vez por dia", enfatizou.

Sobre a geração de empregos, o chefe de Estado brasileiro elogiou as propostas da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Além disso, sugeriu que esta entidade atue com determinação na aplicação de políticas coordenadas e efetivas.

"Espera-se que em 2009 haja 50 milhões de novos desempregados.

Existe o risco de a xenofobia aumentar e de os imigrantes que trabalham virarem bodes expiatórios. A comunidade internacional não pode permitir que isto ocorra", afirmou.

"Não podemos deixar que o século XXI termine como o século XX", concluiu Lula, que apoiou firmemente o Pacto Global pelo Emprego proposto pela OIT. EFE mh/sc

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