Lula critica EUA e defende papel global do Brasil

Em Fórum da ONU no Rio, presidente volta a defender acordo que Brasil e Turquia alcançaram com o Irã sobre combustível nuclear

Raphael Gomide e Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Em discurso lido e sem citar nomes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente os Estados Unidos e defendeu o papel do Brasil como ator político global, nesta sexta-feira, na abertura do Fórum da Aliança de Civilizações das Nações Unidas, no Rio de Janeiro.

Lula defendeu com veemência a mediação do Brasil e da Turquia com o governo iraniano, que resultou em acordo para troca de combustível nuclear de Irã com o exterior , iniciativa rejeitada publicamente pelo governo americano.

AP
Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, cumprimenta premiê turco, Tayyip Erdogan, em Fórum da ONU no Rio

A desaprovação aos EUA permeou toda a fala do presidente, embora quase sempre de forma indireta, expressando seu descontentamento com a recente reação americana ao acordo. “Eu e o primeiro-ministro da Turquia fomos a Teerã buscar com o presidente (Mahmud) Ahmadinejad uma solução para um conflito que afeta muito mais do que a estabilidade de uma região importante do planeta.”

De acordo com ele, “o mundo precisa do Oriente Médio em paz e o Brasil não está alheio a essa necessidade”. “Defendemos um planeta livre de armas nucleares e o pleno cumprimento por todos os países da determinação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear”, disse.

Em referência aos EUA, que querem sanções contra o Irã por causa da continuidade de seu programa de enriquecimento de urânio e a suspeita de que tenta desenvolver armas nucleares, Lula disse que sua experiência como líder sindical o ensinou que “condições inflexíveis só contribuem para a confrontação e afastam as soluções de paz”.

O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, reforçou o discurso e também falou em prol das gestões junto a Ahmadinejad. “O presidente Lula viajou 14 horas com uma única razão, conseguir a paz global. E não poderemos ter isso com armas em Teerã. Deveríamos eliminar as armas nucleares para iniciar a paz nuclear. Se formos capazes de fazer isso, todos os outros acharão que podem também. Todos têm um lugar a ocupar à mesa ”, disse Erdogan. “Temos a obrigação de pôr em marcha uma ação objetiva”, declarou.

Energia nuclear

O presidente brasileiro afirmou serem “absurdas” as teses de “uma suposta fratura de civilizações no mundo que conduziria inexoravelmente a conflitos”. “Essas teorias são criminosas quando usadas como pretexto para ações bélicas ditas preventivas”, afirmou.

A Guerra do Iraque foi justificada pelos EUA como uma ação “preventiva”, tendo em vista a suposta presença de armas de destruição em massa no país do ex-ditador Saddam Hussein, depois nunca encontradas.

Lula pregou o fim das armas de destruição em massa, que, segundo ele, tornam o mundo “mais inseguro” e o uso de energia nuclear com fins exclusivamente pacíficos. “Os arsenais nucleares são peças ultrapassadas e obsoletas de um tempo já superado.”

Para Lula, que leu todo o discurso, o Brasil tem “sólidas credenciais para exigir o desarmamento”, por ser um dos poucos países no mundo a contar em sua Constituição com a proibição de produzir e usar armas nucleares. “Acreditamos que a energia nuclear deve ser um instrumento para a promoção do desenvolvimento e não uma ameaça.” 

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