Lula critica Correa por demora dos debates na cúpula da Unasul

Bariloche (Argentina), 28 ago (EFE).- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou hoje o governante equatoriano, Rafael Correa, pela forma como tudo foi conduzido para a realização dos debates durante a Cúpula Extraordinária da União de Nações Sul-americanas (Unasul), realizada em Bariloche, na Argentina.

EFE |

A reprovação de Lula aconteceu depois que Correa propôs um recesso de 30 minutos para que os chanceleres definissem o conteúdo da resolução final da reunião, que já dura pouco mais de seis horas de deliberações tensas.

"Já tinha que ter ido embora. Se todos tivessem falado quando tinham que falar, não teríamos que ter uma segunda fase da reunião", criticou Lula.

O presidente atacou Correa, que exerce a Presidência temporária da Unasul, por deixar para um segundo discurso, e não para a abertura da sessão, uma exposição que reavivou as discussões que pareciam caminhar bem.

Nesse discurso, o presidente equatoriano manteve um tom muito crítico ao Governo do colombiano Álvaro Uribe, que, após o discurso de Correa, demorou bastante para respondê-lo.

"O problema é que seu último discurso deveria ter sido o primeiro, pois era um discurso que tinha interesse em fazer, que tinha substância para discutir o tema das bases colombianas", alfinetou Lula.

O presidente do Brasil disse não acreditar na validade das transmissões dos debates ao vivo, tal como o pediu a Colômbia e foi aceito pelo resto dos países.

"Cada um falando a seu público não tem bom resultado. O que interessa ao público é um resultado final e não a retórica. Não temos o direito de passar um dia inteiro discutindo", afirmou Lula.

"Acho que se um presidente tenta impor sua verdade a outro, não vamos ter um documento e me preocupa o que vai a sair na imprensa amanhã sobre esta reunião da Unasul. Tabaré Vázquez (presidente do Uruguai) e Alan García (do Peru) já se foram e, daqui a pouco, vamos ficar só dois ou três presidentes para tomar uma decisão", acrescentou.

Incomodado, Correa disse que ele só discursou uma só vez no plenário e considerou que era "irreal colocar três horas de debate para algo tão profundo".

"E o que menos me interessa é o que a imprensa vai dizer. O importante é alcançar consensos", afirmou Correa, que finalmente propôs um intervalo de cinco minutos, após o qual retomarão a sessão para anunciar a declaração final. EFE nk/db-pd

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