Lula, Cristina e Chávez articulam como combater alta de alimentos

Os presidentes do Brasil, Lula da Silva, da Argentina, Cristina Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez, discutiram, nesta terça-feira, alternativas para tentar reduzir os preços dos alimentos, que têm pressionado a inflação nos três países e em outros do mundo. O preço dos alimentos preocupa e foi assunto do encontro entre os presidentes, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim.

BBC Brasil |

"Eles conversaram sobre como fazer para baixar os preços dos alimentos. Esse é um assunto importante e eles querem pensar, em conjunto, sobre o que pode ser feito".

Amorim disse que os três líderes conversaram, por exemplo, sobre a fabricação de fertilizantes - mercadoria na qual o Brasil e outros países da região são deficitários. Os fertilizantes, sinalizou, são essenciais para a produção de alimentos e acabam pressionando este incremento nos preços.

Lula convidou os colegas da Argentina e da Venezuela para a inauguração de uma usina de energia eólica, no dia 6 de setembro, em Pernambuco. No encontro, Lula quer continuar a discussão sobre energia e a possível fabricação de fertilizantes. Cristina e Chávez estarão no Brasil para as cerimônias do dia 7 de setembro.

Investimentos
Amorim disse ainda que a visita do presidente brasileiro à Argentina, que terminou nesta segunda-feira, serviu também para que o governo argentino destacar a "importância" dos investimentos brasileiros no território argentino.

"Não existe a preocupação, no governo argentino, de que haja invasão brasileira (de empresas). E eles (Lula e Cristina) conversaram ainda sobre assuntos como, TV digital, discussão que está no início, e sobre negociações internacionais".

O chanceler brasileiro não deu detalhes sobre estas "negociações internacionais".

Na véspera, o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse que o Mercosul deverá buscar acordos no formato 4+1 - com União Européia e Estados Unidos -, depois do fracasso da Rodada de Doha para a liberalização de comércio.

Marco Aurélio fez parte da comitiva oficial que incluiu cinco ministros.

No discurso que realizou nesta segunda-feira, num seminário com empresários brasileiros e argentinos, Lula sinalizou que não tinha desistido da Rodada de Doha. "Acho que ainda existe uma oportunidade porque (sem Doha) talvez Brasil e Argentina não sintam nada. Mas os países mais pobres sim. Eles teriam a oportunidade de ampliar sua produção de alimentos para exportar aos países ricos", disse.

Na semana passada, em Genebra, Brasil e Argentina, principais sócios do Mercosul, mostraram diferenças nesta discussão, gerando críticas de autoridades argentinas. "A postura argentina era mais realista (que a do Brasil)", disse o chanceler Jorge Taiana.

Embraer
Quando perguntado se a companhia aérea Aerolíneas Argentinas tinha oficializado seu interesse em contar com "ajuda" da Embraer, Amorim respondeu: "Sei que há o interesse de cooperaçao da Embraer e o interesse da Aerolíneas de adquirir um número expressivo (mas ele não disse quanto) de aviões da fábrica brasileira. A Embraer é uma empresa privada e que opera por seus meios. Mas que eu saiba há interesse."
Chávez
Originalmente, a agenda de Lula não incluía a reunião que teve, ao mesmo tempo, com Cristina e Chávez.

No fim de semana, assessores do governo brasileiro negaram o encontro, enquanto na Argentina e na Venezuela confirmavam a reunião.

Chávez foi convidado, no último momento, por Cristina, de acordo com informação oficial. Para analistas, Cristina "dividiu" assim o "protagonismo" de Lula no país.

Diante das idas e vindas da reunião ou não com Chávez, Amorim afirmou: "O encontro estava previsto e imprevisto ao mesmo tempo. Eles tinham falado, no mês passado, de uma reunião entre os três. Mas o presidente Lula viaja amanhã para China (e sua agenda não se harmonizaria à de Chávez)".

Quando perguntado se esta visita de Lula representava um "gesto de apoio político a Cristina", Amorim respondeu: "Prefiro que a mídia e a opinião pública concluam".

Esta foi a primeira viagem de Lula ao país vizinho depois que Cristina viveu a pior crise de seu governo, durante quatro meses de disputas com o setor rural.

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