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Lula: Crise não deve ser motivo para precipitação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta-feira a precipitação diante da crise e do desemprego, durante rápida entrevista que marcou o encerramento da reunião bilateral com o colega boliviano Evo Morales, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. A crise é motivo de preocupação, mas ela não pode ser motivo de nenhuma precipitação, nem do governo (e) muito menos dos empresários, disse Lula, quando perguntado sobre a decisão da Força Sindical de suspender, por dez dias, as negociações com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) para evitar demissões em meio à crise internacional.

BBC Brasil |

A Força Sindical e outras centrais são contra a redução do salário e querem garantias para manter os empregos, mesmo que por prazos específicos. Mas o setor empresarial seria contrário às exigências.

O presidente se mostrou otimista em relação ao mercado de trabalho brasileiro. "O Brasil vai terminar o ano com a criação de 1,5 milhão de empregos", afirmou.

"Sabemos que o mês de dezembro costuma ser anormal e historicamente registra cerca de 300 a 400 mil desempregos, mas neste ano devemos chegar a 800 mil desempregos. Mas é importante lembrar que a geração de empregos em 2008 foi até anormal (para a trajetória brasileira)."
Mais tarde, assessores da Presidência corrigiram o dado, afirmando que o número exato seria de 600 mil postos de trabalho perdidos.

Setores
Lula disse que vai se reunir com as centrais sindicais na segunda-feira quando vai se informar sobre tudo o que está ocorrendo.

O presidente afirmou que pediu aos ministros do Trabalho, Carlos Luppi, e da Indústria e Comércio, Miguel Jorge, uma relação dos setores que estão "dispensando" pessoal.

"Temos que analisar a situação em setor por setor, senão ficará a sensação de que o desemprego está em todas as partes. Vamos esperar para ver como será a situação em janeiro e em fevereiro e a capacidade industrial brasileira de resistir, sobretudo na questão do crédito", destacou.

O presidente disse ainda que a situação da economia está sendo acompanhada diariamente. "Já tomamos medidas e esse mês tomaremos novas medidas e vamos continuar trabalhando com a certeza de que o Brasil é hoje um país mais preparado para enfrentar essa crise. Acho que um grande problema que temos hoje e ainda não foi resolvido é a questão do crédito".

Segundo ele, 30% do crédito internacional era adquirido no exterior, mas será discutido cada caso. "Vamos analisar cada problema que for sendo apresentado."
Lula disse que o Brasil vai continuar crescendo, apesar da crise. "Vamos ver o que podemos continuar fazendo para evitar que a crise, que aconteceu lá nos Estados Unidos, afete nosso povo que nem sabia o que era crise subprime e bolha econômica nos Estados Unidos", afirmou.

"Vamos trabalhar para que o Brasil saia perfeitamente bem dessa crise", acrescentou.

Gás
No encontro em Corumbá, acompanhado por cinco ministros, entre eles, Edison Lobão, de Minas e Energia, Lula e Morales conversaram sobre o abastecimento do gás boliviano ao mercado brasileiro.

Lula e Lobão reiteraram a intenção de o Brasil, através da Petrobras, realizar investimentos de US$ 1,1 bilhão - que já tinham sido prometidos - no país vizinho.

Lobão afirmou que espera que o preço do gás boliviano caia a partir de abril ou maio, quando passará a refletir a queda no preço internacional do petróleo.

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