Brasília, 8 set (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que a Argentina deve e pode participar da construção das infra-estruturas necessárias para a exploração da enorme riqueza petrolífera encontrada no litoral atlântico do Brasil.

Lula fez esse convite em discurso durante um almoço em homenagem à presidente argentina, Cristina Fernández, que, com uma visita de Estado a Brasília, conclui nesta segunda-feira uma estada de três dias no país.

As declarações do presidente brasileiro se referiam às jazidas encontradas em águas profundas do oceano Atlântico, que, segundo especialistas, podem transformar o Brasil em uma potência petrolífera mundial, com reservas de aproximadamente 100 bilhões de barris.

"Em um momento de uma dura concorrência mundial pelo acesso à energia, a Argentina e o Brasil apresentam condições ideais para desenvolver energias renováveis e também para explorar juntos a vasta riqueza de nossos países em matéria de gás e petróleo", disse Lula.

Em seu discurso, o presidente avaliou, sobretudo, o acordo assinado hoje que eliminará o dólar nas transações comerciais entre Brasil e Argentina.

"Demos um passo inicial em direção à futura integração monetária regional. Em breve veremos os primeiros resultados na queda dos custos de exportação e importação", disse Lula sobre o convênio assinado em Brasília, que futuramente deverá ser ampliado a todo o Mercosul.

A respeito do bloco, Lula defendeu o ingresso da Venezuela no bloco na qualidade de membro pleno, já aprovada pelos Congressos da Argentina e do Uruguai e que agora depende apenas do aval dos Parlamentos do Brasil e do Paraguai.

"Estamos empenhados em finalizar a adesão da Venezuela ao Mercosul, de forma de ampliar os horizontes da integração produtiva e de dar-lhe uma dimensão continental", afirmou Lula, cujo país preside o bloco neste semestre.

O presidente disse ainda que "é fundamental que o Mercosul possa falar com uma só voz perante o mundo", sobretudo quando se prepara "para retomar negociações com outros blocos", entre os quais citou a União Européia (UE).

Lula também disse que serão "redobrados os esforços" para o alcance de acordos comerciais com o Sistema de Integração Centro-Americano (Sica), o Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, a Rússia e a Índia.

Segundo o chefe de Estado brasileiro, "o fortalecimento do Mercosul torna mais sólida a integração e consolida o patrimônio latino-americano". EFE ed/sc

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