Lula consolida liderança apoiado em seu carisma e no poderio do Brasil

Eduardo Davis. Brasília, 20 dez (EFE).- Apoiado no sólido poderio econômico do Brasil e em seu inegável carisma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consolidou este ano sua liderança regional e assumiu a voz de líder dos países mais pobres no cenário mundial.

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O discurso social de Lula reuniu todos os grandes assuntos da agenda internacional, e seu protagonismo no cenário global sempre foi favorável aos países em desenvolvimento, dos quais se transformou em porta-bandeira.

Em boa medida, essa presença permanente nos grandes debates internacionais foi potenciada em 2008 com uma agressiva política externa, que o levou a visitar 25 países nos últimos 12 meses.

Este ano, Lula viajou pelos cinco continentes e inclusive pisou pela primeira vez no gelo da Antártida, onde visitou uma base científica do Brasil para lançar uma importante mensagem contra o aquecimento global que ameaça as calotas polares.

Sua intensa atividade também foi desdobrada por dezenas de países da América Latina e do Caribe e o levou a uma forte aproximação com Cuba, uma das poucas nações que visitou duas vezes este ano e na qual a Petrobras pretende ampliar suas atividades em busca de petróleo em águas profundas.

A influência de Lula na América do Sul e seu empenho na integração regional foram comprovados com vários fatos concretos nos últimos meses.

O mais palpável foi a constituição da União de Nações Sul-americanas (Unasul), uma iniciativa de Lula que esteve a ponto de naufragar em meio às tensões nascidas entre Equador, Colômbia e Venezuela após a morte do chefe guerrilheiro colombiano Raúl Reyes em território equatoriano.

A cúpula constitutiva da Unasul deveria acontecer na Colômbia, mas foi suspensa por tempo indefinido devido a esses conflitos, e Lula a recuperou ao propor uma reunião de emergência em Brasília que reuniu todos os líderes sul-americanos em maio passado.

Segundo analistas latino-americanos, Lula tem a seu favor principalmente a solidez econômica do Brasil, que é reconhecido como o país com mais futuro na América Latina e que, agora, pelas mãos do presidente, se voltou totalmente para a região.

Mas também contam a favor de Lula seu carisma e especialmente seu pragmatismo, que o permitiu ser o único dos presidentes da chamada "nova esquerda" latino-americana a ter excelentes relações com Washington durante o Governo de George W. Bush.

Agora, após as eleições americanas, tudo indica que a situação não mudará com Barack Obama à frente da nação mais poderosa do mundo.

O presidente eleito americano chegou a ligar para Lula após sua vitória e, segundo fontes dos dois países, na conversa citou "a grande liderança do Brasil e sua importância" na resolução da crise financeira global.

Fontes diplomáticas disseram à Agência Efe em Brasília que a Casa Branca acredita que Lula é "o único líder latino-americano capaz de conter" a influência que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ganhou na região, graças sobretudo ao petróleo.

Além da região, o Brasil de Lula foi um dos grandes atores nas negociações da Rodada de Doha, nas quais assumiu a voz dos países em desenvolvimento, na Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) sobre a crise financeira, e mantém dezenas de programas de cooperação com nações mais pobres, baseadas especialmente em sua experiência na área de biocombustíveis.

No entanto, seus permanentes trabalhos a favor da conclusão da Rodada de Doha, da reforma das Nações Unidas e de uma maior voz para os países emergentes nos grandes assuntos mundiais foram até agora infrutíferos.

Mas Lula não deixou de insistir nesses assuntos, e sustenta que se trata de "uma questão de tempo", pois os países mais ricos deverão "aceitar um dia" a importância do mundo em desenvolvimento.

EFE ed/mh/fr

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