Lula considera injusto que terremoto tenha atingido Haiti

Rio de Janeiro, 15 jan (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou hoje injusto o fato de o Haiti, um dos países mais pobres do mundo e que começava a se organizar após décadas de conflitos e instabilidade, ter sido atingido pelo forte terremoto de terça-feira.

EFE |

"Fomos pegos de surpresa por um terremoto em um dos países mais pobres do mundo. Às vezes fico pensando se é justo que tenha se dado exatamente no Haiti, um Estado que não está organizado", afirmou Lula em discurso pronunciado durante uma cerimônia oficial.

O presidente interrompeu sua fala para pedir um minuto de silêncio pelas vítimas do tremor e uma salva de aplausos pela rápida e solidária mobilização de todo o mundo para ajudar o país caribenho.

"Eles nunca tiveram chance na vida", disse Lula, ao lembrar que o Haiti foi invadido por diferentes países e sofreu com golpes de Estado e problemas de corrupção.

Segundo o presidente, o terremoto castigou um país que ainda não tem um Estado consolidado nem condições ou infraestrutura para fazer frente à tragédia.

Lula lembrou que, apesar de ter sido o primeiro Estado livre da América Latina e o primeiro Estado negro do continente, a história do Haiti é repleta de conflitos políticos, ditaduras, invasões, instabilidade e pobreza.

O presidente acrescentou que o terremoto aconteceu justamente no momento em que, com a ajuda da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), liderada militarmente pelo Brasil, o país começava a superar alguns de seus problemas.

"Agora que o Haiti começa ter mais facilidade de entrar numa situação de tranquilidade, acontece a desgraça que aconteceu", afirmou.

"Não sabemos nem quantos mortos há porque não há estrutura para retirar os escombros", disse Lula.

O presidente destacou que o Brasil, que tem 1.266 soldados no Haiti, mostrou sua solidariedade e, além do anúncio de uma ajuda de US$ 15 milhões, já enviou seis aviões ao país caribenho com toneladas de alimentos e remédios, 50 bombeiros, dois hospitais de campanha e outras equipes de resgate.

"Estamos fazendo o que é possível e até estamos enviando água potável, mas em um avião não cabe água para três milhões de pessoas", disse.

Ao final de seu discurso, Lula pediu um minuto de silêncio pelas vítimas do terremoto, incluindo 14 militares brasileiros da Minustah, que chamou como "heróis".

"É uma homenagem aos 14 soldados que estavam lá em nome do Brasil e morreram. Além disso, há quatro militares desaparecidos, possivelmente mortos", disse Lula, que também lembrou o segundo civil na hierarquia da ONU no Haiti, Luiz Carlos da Costa, "que está desaparecido e possivelmente morto".

O presidente também mencionou o falecimento da missionária Zilda Arns, fundadora e coordenadora do Pastoral da Criança, que considerou como uma "mulher exemplar".

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do Haiti. A Cruz Vermelha do país estima que o número de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro haitiano, Jean Max Bellerive, havia falado de "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participam da Minustah morreram em consequência do terremoto.

Diferente dos dados do Exército, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, aumentou hoje o número de mortos para 17 - considerando as mortes de Luiz Carlos da Costa e de outro brasileiro que não identificou -, segundo informações da "Agência Brasil". EFE cm/bba

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