Lula confirma presença em jantar de despedida de Uribe

Participação seria mostra de amizade a presidente colombiano, que criticou Lula por declarações sobre crise entre Caracas e Bogotá

EFE |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira que participará do jantar de despedida de seu colega colombiano, Álvaro Uribe, para demonstrar que não tem "nenhum problema" com seu "amigo". "Fiz declarações à imprensa nos últimos dias e Uribe ficou nervoso, então vou me vingar dele", brincou Lula durante o plenário da cúpula de presidentes do Mercosul que acontece na cidade argentina de San Juan.

Após oito anos no governo, Uribe entregará o poder no próximo sábado a Juan Manuel Santos, que foi seu ministro da Defesa e venceu as eleições de junho como candidato da situação.

"Na sexta-feira à noite vou a seu jantar de despedida, para que veja que não tenho nenhum problema com ele, que sou seu amigo. Quero que me convide para me sentar a seu lado, para que possamos conversar", acrescentou.

O atrito a que Lula se referiu aconteceu na semana passada, quando aludiu ao conflito entre Colômbia e Venezuela como "um caso de assuntos pessoais". Uribe criticou o comentário de Lula por considerar que o presidente ignorou a "ameaça" que representa para a Colômbia a presença de guerrilheiros em território venezuelano .

Além disso, acusou Lula de "desconhecer" os esforços de seu governo para buscar soluções "através do diálogo" com o governo do venezuelano Hugo Chávez.

Maquiavel

Durante o discursos, Lula também falou sobre o Irã. O presidente afirmou que a reação negativa das potências ocidentais ao acordo que Brasil e Turquia negociaram para a troca de combustível nuclear com o Irã lembra um elemento da teoria de Maquiavel.

Em discurso durante a reunião de cúpula do Mercosul, Lula afirmou que as sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU contra o Irã não funcionam e só existem para empresas do Brasil e da Argentina, mas não para russos, chineses ou americanos.

"A Rússia vai continuar construindo fábrica nuclear lá (no Irã), e a China explorando petróleo lá", disse o presidente. "Eu me pergunto se essas pessoas querem manter a paz ou se querem manter o clima de instabilidade que existe para utilizar uma teoria da política conhecida de Maquiavel: 'é necessário dividir para reinar'."

"Eles nos diziam que era impossível (um acordo), que o Irã não queria sentar para conversar, e o acordo foi assinado, mostrando que o Irã está disposto a negociar", acrescentou Lula. "Mas, para nós, foi uma surpresa quando os países de Viena (grupo formado por Estados Unidos, Rússia, França e pela agência nuclear da ONU) começaram a discutir o aumento das sanções ao Irã."

Diálogo

Lula também voltou a expressar insatisfação em relação à postura do governo americano quanto ao acordo negociado com o Irã. "O que mais me incomodou é que o documento que assinamos foi o que (Barack) Obama (presidente dos Estados Unidos) tinha me dito que era necessário conseguir, e conseguimos", afirmou.

Em seu pronunciamento, o presidente afirmou ainda que os maiores produtores nucleares do mundo são os integrantes do Conselho de Segurança da ONU e lembrou que esteve no Irã e recebeu o líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, no Brasil.

De acordo com Lula, antes de sua aproximação com o Irã, nenhum dos integrantes do Conselho de Segurança da ONU tinha conversado com o presidente iraniano. "Eu não conhecia o presidente do Irã", disse o presidente. "O que me impactou foi que os grandes países do Conselho de Seguraça não tinham falado com o presidente do Irã. E são justamente os cinco países que tem mais armas nucleares no mundo."

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