Lula confirma ajuda a Evo Morales, mas sem envio de tropas

Brasília - Em entrevista exclusiva à TV Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que o país vai dar apoio logístico à Bolívia, a pedido do presidente Evo Morales, para desmantelar grupos armados no departamento de Pando, fronteira com o Acre.

Redação com agências |

A informação foi dada na entrevista gravada pela manhã, em Brasília, para a estréia do programa 3 a 1, da TV Brasil, que vai ao ar às 22h desta quinta-feira.

Nem pensar em ingerência brasileira na Bolívia; muito menos tropas, disse Lula. Mas o Brasil vai auxiliar com a venda de caminhões e ônibus ao Exército Boliviano e com ajuda da Polícia Federal na fronteira.

O presidente pediu aos ministros da Justiça, Tarso Genro, e da Defesa, Nelson Jobim, para entrar em contato com autoridades bolivianas a fim de tratar dessa colaboração.

Na entrevista, Lula criticou a interferência de embaixadas dos EUA em assuntos internos de países da América do Sul em diversos momentos da história do continente, ao comentar a decisão de Evo Morales de expulsar da Bolívia o embaixador norte-americano.

Ajuda a refugiados

O governo brasileiro e as autoridades do Acre ajudarão entre 100 e 200 bolivianos que cruzaram a fronteira fugindo dos protestos contra o presidente Evo Morales, informaram hoje fontes oficiais.

O porta-voz do governo do Acre, Carlos Alberto Bernardo, explicou que a situação é delicada nos municípios de Brasiléia e Epitaciolândia, nos quais se concentraram os cidadãos bolivianos, em sua maioria procedentes do departamento (estado) de Pando, onde rege um estado de sítio.

Bernardo disse que, de Rio Branco, capital do Acre, foram enviados médicos, alimentos e roupa para essas cidades limítrofes com a Bolívia.

Além disso, foram habilitados alguns prédios públicos para oferecer abrigo aos refugiados.

O porta-voz ressaltou que algumas das pessoas que chegaram ao Brasil apresentavam ferimentos, mas nenhuma delas estava em estado grave.

Em Rio Branco, se reuniram hoje representantes do Parlamento, do Ministério das Relações Exteriores e autoridades locais com um grupo de parentes de brasileiros que vivem no conflituoso departamento de Pando e em outras regiões bolivianas.

O diplomata José Luiz Pereira declarou que, "embora a situação hoje seja menos preocupante, é necessário saber quantos são e onde estão os brasileiros para poder atuar em caso de emergência".

Por essa razão, ele reiterou que é necessário que os brasileiros que ainda estão na Bolívia se dirijam aos consulados de seu país para atualizar os registros, a fim de poder localizá-los caso precisem ser evacuados do país andino.

Confrontos em Pando

Cobija foi cenário na semana passada de saques a prédios públicos e assaltos à propriedade privada, depois que setores civis de direita massacraram, segundo o governo, camponeses leais ao presidente Evo Morales.

Os confrontos deixaram 30 mortos, a maioria indígenas. O prefeito (governador) de Pando, Leopoldo Fernández, responsabilizado pela violência por La Paz, foi preso na terça-feira.

Crise na Bolívia

Os departamentos bolivianos de Tarija, Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca (que juntos foram a região conhecida como "Meia Lua") pleiteiam maior autonomia e têm sido palco há meses de protestos contra Morales.

Eles ficam no leste da Bolívia e são os departamentos mais ricos do país, graças principalmente à produção de gás e soja.

O departamento de Tarija, por exemplo, possui mais de 80% das reservas de gás bolivianas.

O oeste da Bolívia, onde vive a maior parte da população indígena, é a região em que o presidente conta com mais apoio.


Mapa político da Bolívia

Leia mais sobre Bolívia

Com EFE e Agência Brasil

    Leia tudo sobre: bolívia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG