Lula condenará subsídios agrícolas em cúpula de países lusófonos

Brasília, 23 jul (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará amanhã a Lisboa para participar da 7ª Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde voltará a condenar os subsídios agrícolas nos países mais ricos.

EFE |

O porta-voz de Lula, Marcelo Baumbach, disse hoje que a principal mensagem do presidente na reunião da CPLP será que "a inflação alimentícia continuará enquanto persista o protecionismo com que os países ricos cercam sua agricultura", que é um dos assuntos que mantém estagnada a Rodada de Doha.

Além disso, ele ressaltou que Lula "reafirmará que a atual situação é resultado do aumento de pessoas com acesso à alimentação de qualidade nos países em desenvolvimento, e da alta dos preços do petróleo, que repercute nos fertilizantes e nos transportes".

Segundo o porta-voz, o presidente está convencido de que é necessário que "se garanta a segurança alimentar dos países e comunidades mais vulneráveis" e, para isso, considera necessário que seja aumentada a produção agrícola, sobretudo nos países em desenvolvimento.

Segundo Baumbach, Lula oferecerá às nações da CPLP a experiência brasileira, a fim de melhorar a cooperação agrícola e o desenvolvimento de um setor que, além de contribuir para atenuar a atual crise, é um grande gerador de empregos.

A CPLP, criada em 1996, é integrada por Portugal, Brasil, Timor-Leste e as antigas colônias lusas na África Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Estes oito países junto possuem cerca de 240 milhões de habitantes e têm um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 700 bilhões.

Um dos assuntos centrais da cúpula, segundo Baumbach, será a promoção da língua portuguesa no mundo e o debate em torno de um polêmico acordo ortográfico da língua, que encontrou resistências em alguns países da comunidade.

O acordo, ratificado esta semana por Portugal, já tinha sido aprovado por Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, mas ainda está pendente em Timor-Leste, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

Bauchman explicou que Lula "aproveitará a ocasião para pedir a esses países amigos uma rápida ratificação do acordo", que servirá para "reforçar a importância estratégica e econômica" da língua portuguesa.

Lula deve chegar a Lisboa amanhã às 18h e dedicará a sexta-feira às atividades da cúpula, embora terá diversas reuniões bilaterais com os líderes presentes em Lisboa.

De acordo com o porta-voz, embora vá se reunir praticamente com todos os governantes, a única reunião confirmada até o momento é com o chefe de Estado português, Aníbal Cavaco Silva.

A delegação que acompanha Lula nessa viagem conta com o ministro da Educação, Fernando Haddad, e o vice-chanceler, Samuel Pinheiro Guimarães, que representará o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que está em Genebra para as negociações da Rodada de Doha. EFE ed/rr

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