Lula condena 'tentativa de golpe' no Equador

Presidente brasileiro afirma que "todos os democratas" devem apoiar "sem restrições" o líder equatoriano, Rafael Correa

iG São Paulo |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou nesta sexta-feira o que considerou uma tentativa de golpe no Equador para derrubar o presidente Rafael Correa.

"Todos nós democratas precisamos condenar da forma mais veemente possível esta tentativa de golpe no Equador e apoiar sem restrições o presidente Rafael Correa", disse Lula a jornalistas após participar de evento em São Bernardo do Campo, na região do ABC Paulista.

O Equador mergulhou em uma crise na quinta-feira depois que policiais saíram às ruas em protesto contra um corte em seus benefícios salariais.

Correa ficou detido por policiais em um hospital por várias horas e foi resgatado por militares de noite.

Lula disse que tentou conversar por telefone com Correa ainda na quinta-feira mas não conseguiu. Nesta sexta, o presidente brasileiro vai fazer nova tentativa.

"Não é possível que as pessoas não entendam que esse tipo de tentativa de derrubar um presidente não é correto. Policiais jogarem bomba num presidente é menos correto ainda", alertou.

Confrontos

Os protestos começaram quando centenas de policiais foram às ruas do país e tomaram vários quartéis, entre eles o maior de Quito, protestando contra um decreto ratificado pelo Congresso Nacional que acaba com os bônus de oficias de polícia e das Forças Armadas.

Eles também ocuparam, por várias horas, o aeroporto internacional da cidade. De Guayaquil, a maior cidade do país, vieram notícias de saques e assaltos a banco. Escolas e lojas foram fechadas e o governo declarou estado de exceção.

Forças de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo para tentar conter os manifestantes no maior quartel militar de Quito. Ao chegar ao local, Correa foi recebido pelos policiais rebelados com ofensas e pedradas.

"Não daremos um passo atrás, se querem tomar os quartéis, se querem deixar os cidadãos indefesos e se querem trair sua missão de policiais, façam isso", afirmou Correa, diante de centenas de policiais.

"Senhores, se querem matar o presidente, aqui estou, matem-me se quiserem, matem se têm poder, matem se têm coragem, em vez de se esconderem entre a multidão", gritou o presidente, visivelmente irritado com a situação.

Uma bomba de gás lacrimogêneo explodiu a poucos metros do presidente, que foi rapidamente retirado do local por seus guarda-costas e levado para o hospital. Mais tarde, em uma entrevista a uma rádio, Correa afirmou que "policiais rebelados estão tentando entrar no meu quarto, pelo teto". "Se algo acontecer comigo, a culpa é deles", disse ele.

"Gostaria de dizer apenas que meu amor pelos equatorianos é infinito e seja onde estiver eu sempre amarei minha família. Sabia dos riscos e valia a pena, então não se preocupem", afirmou Correa.

Convocados por membros do gabinete de Correa, simpatizantes se dirigiram ao hospital "para resgatar o presidente", dizendo que havia "gente tentando entrar pelo teto para tirá-lo dali". No caminho, estes entraram em choque com policiais rebelados. Houve troca de tiros e dois policiais morreram. No total, Correa passou mais de 12 horas no hospital antes de conseguir ser resgatado.

Com Reuters e BBC

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