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Lula cobra garantias jurídicas sobre acordo entre Colômbia e EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta sexta-feira, durante a cúpula da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) em Bariloche, que o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos traga garantias jurídicas de que a atuação dos militares americanos não ultrapasse as fronteiras colombianas. Temos muitos quilômetros de fronteiras e, com essa garantia jurídica, podemos dizer, se for o caso: Hum, (Os militares americanos) passaram para o Brasil, disse Lula, durante o encontro de chefes de Estado.

BBC Brasil |

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, por sua vez, afirmou que teme uma "intervenção política" na Colômbia devido ao debate em torno do acordo militar.

Uribe, no entanto, não especificou quem ou que grupos poderiam participar desta suposta "intervenção".

Em seu discurso, Uribe não falou especificamente sobre as garantias jurídicas e comentou o acordo como um fato consumado.

"Não estou sentado aqui como refém ou como um condenado. Estou aqui na Unasul para falar que a ajuda dos Estados Unidos foi muito importante para o combate a esse flagelo provocado pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)", disse, mostrando fotos de supostas vítimas do grupo.

Uribe afirmou ainda que o Brasil "não tem uma só queixa" em relação às ações do Plano Colômbia, em vigor desde 2000, e afirmou que "este (novo) acordo, assim como o Plano Colômbia, respeitará os limites" de seu país.

Desconfiança
A anfitriã do encontro, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, afirmou que houve uma "quebra de confiança" entre alguns dos presidentes da Unasul. Ela solicitou ainda que o presidente colombiano apresente os termos do acordo a seus colegas sul-americanos.

"O principal dado é a falta de confiança. E por isso, minha sugestão ao presidente Uribe é que possamos ler, por meio do Conselho de Segurança (da Unasul), o acordo da Colômbia (com os Estados Unidos)", afirmou.

O presidente Lula também sugeriu que seja realizada uma reunião entre Uribe e os principais críticos do acordo, os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, do Equador, Rafael Correa, e da Bolívia, Evo Morales.

"É importante discutir uma política de paz no continente", disse Lula.

"Tenho preferências nas minhas relações pessoais, mas não entre presidentes. Defendo que temos que respeitar o voto popular. E se respeitamos estes princípios, tudo será mais fácil. Temos que ter a melhor relação entre nós."
Lula disse ainda que se "preocupa" com o discurso de pessoas que falam "em guerra" na região, sem, no entanto, citar nomes.

Na última reunião da Unasul, no dia 10 de agosto, em Quito, no Equador, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, principal crítico do acordo militar colombiano, afirmou que "ventos de guerra sopram na região".

Chávez não estava na sala quando Lula discursou. Os dois se reuniram antes do início do encontro, quando, segundo interlocutores do governo brasileiro, Lula pediu "moderação" ao venezuelano.

Drogas
Na reunião também foi debatido, de forma indireta, o papel das Forças Armadas no combate ao narcotráfico.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, disse que em seu país os militares trabalham no combate ao narcotráfico.

Lula, no entanto, afirmou discordar do uso das Forças Armadas para estes fins.

"O combate ao tráfico é um assunto de polícia, e as Forças Armadas estão dedicadas a outros assuntos."
Lula voltou a sugerir que a próxima reunião da Unasul seja realizada com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Lula indicou que, neste encontro, o tema central deveria ser a relação da América do Sul com Estados Unidos, e não só o acordo militar com a Colômbia.

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