Lula chega a Pequim em busca de mais investimentos e cooperação

Pequim, 18 mai (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou hoje a Pequim em sua segunda visita de Estado à China, onde, além de investimentos em projetos petrolíferos e de infraestruturas, buscará reforçar a cooperação no setor de biocombustíveis.

EFE |

Lula desembarcou no Aeroporto Internacional da capital chinesa tendo um jantar privado com seu colega chinês, Hu Jintao, como único compromisso do primeiro dos três dias de sua visita ao país.

Amanhã, no entanto, os atos oficiais começarão com a inauguração do Centro de Estudos Brasileiros na Academia Chinesa de Ciências Sociais, que agrupa os especialistas que assessoram o Executivo. Em seguida, Lula presidirá uma reunião entre empresários chineses e brasileiros.

Ainda na terça-feira, mas na parte da tarde, o governante brasileiro vai se reunir com o primeiro-ministro Wen Jiabao. Depois, terá um encontro com o vice-presidente chinês, Xi Jinping, e com o mais alto conselheiro do Governo, Jia Qinglin.

No fim do dia, Lula e Hu voltarão a se encontrar. Desta vez, para assinar uma série de acordos.

Numa entrevista concedida ao jornal econômico chinês "Caijing", Lula disse que, diante da crise global, Brasil e China têm que "pensar grande".

Sobre os acordos que espera assinar em Pequim, o presidente destacou um entre o BNDES e o Banco de Desenvolvimento da China (BDC), e outro entre esta última entidade e a Petrobras, que pretende explorar petróleo em águas profundas da China.

Outros acordos contemplam o lançamento conjunto de dois satélites, cooperação em leis comerciais e civis e um protocolo contra crimes transnacionais.

Na mesma entrevista, Lula disse esperar que os investimentos da China no Brasil aumentem, sobretudo em projetos petrolíferos e de aeroportos e outras infraestruturas.

"Vamos focar as energias renováveis, especialmente o etanol e os biocombustíveis", disse o governante, que sugeriu à China produzir biocombustível no Brasil e na África, onde geraria mais emprego e receita.

Lula também se mostrou "muito otimista" com a visita que inicia hoje, e assegurou que o comércio com a China, maior parceiro do Brasil desde o mês passado, pode atingir um volume dez vezes maior que o atual.

Segundo números oficiais, 77% das exportações brasileiras à China estão concentradas em matérias-primas (soja e derivados, minério de ferro e petróleo), enquanto os investimentos chineses no Brasil foram de US$ 99 milhões entre 2002 e 2008, um terço do total aplicado pelas empresas brasileiras no país asiático nesse período.

Neste contexto, Lula proporá a Hu que o comércio entre as duas nações se baseie em suas próprias moedas e abandone o dólar, o que já acontece nas trocas entre Brasil e Argentina.

"A China e o Brasil estão vivendo o melhor momento de suas relações bilaterais", declarou hoje à Efe Su Zhenxing, presidente da Associação de Estudos Latino-americanos da China. "Mas ainda é necessário ampliar o alcance da cooperação para manter o aumento do comércio a longo prazo", acrescentou.

Em outro acordo que será assinado durante a visita de Lula, a Embraer vai construir na China 25 aviões para Hainan Airlines, metade do pedido feito em 2006, revisto devido à crise.

Acompanhado de uma delegação de 240 empresários, de vários governadores estaduais e de cinco ministros, o governante brasileiro tentará ainda fechar um acordo para a abertura de um escritório da agência estatal de promoção de exportações e investimentos (APEX) em Pequim.

Lula, que chegou a Pequim vindo da Arábia Saudita, visitou a China pela primeira vez em 2004. Desde então, os líderes de ambos os países se reuniram várias vezes fora de seus respectivos territórios. EFE mz/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG