Lula chama de equívoco decisão da ONU de impor sanções ao Irã

Presidente brasileiro diz que Conselho de Segurança "jogou fora uma oportunidade histórica" de negociar com o país persa

iG São Paulo |

Reuters
Reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira a decisão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas de impor uma nova rodada de sanções ao Irã.

"Lamentavelmente desta vez quem queria negociar era o Irã e quem não queria negociar eram aqueles que acham que a força resolve tudo", disse Lula em discurso em Natal. "Em vez de chamarem o Irã para a mesa, eles resolveram, na minha opinião, apenas por birra, manter a sanção. Acho que foi um equívoco".

Nesta quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma quarta rodada de sanções contra o Irã por conta de seu programa nuclear, que o Ocidente suspeita ter objetivo de desenvolver armas atômicas.

Foram 12 votos a favor da resolução. O Líbano se absteve, enquanto Turquia e Brasil votaram contra - os dois países negociaram um acordo em maio com o Irã que pretendia evitar as sanções.

"Acho que o Conselho de Segurança jogou fora uma oportunidade histórica de negociar tranquilamente o programa nuclear iraniano", completou. "É um episódio que enfraquece o Conselho de Segurança. Nós estamos tentando reformá-lo há mais de 17 anos", afirmou Lula, para quem as sanções significam uma "vitória de pirro".

Lula disse ainda que conversou pela manhã com premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, e que ambos acertaram votar contra as sanções. "Espero que o companheiro (Mahmoud) Ahmadinejad continue tranquilo", acrescentou.

Além de Lula, o chanceler Celso Amorim também criticou duramente a decisão do Conselho. Em audiência na Câmara dos Deputados, o ministro sugeriu que os países votaram de acordo com interesses internos. "Os países têm que votar de acordo com suas consciências, não porque conseguiram vantagem de vender mais isso ou mais aquilo", disse Amorim.

O ministro criticou o fato de o Conselho de Segurança ter votado as medidas "praticamente sem ter esperado" a avaliação do Grupo de Viena sobre proposta de acordo com Irã, intermediada por Brasil e Turquia. "Houve uma negociação entre os membros permanentes em que os interesses específicos desses países foram tomados em conta", disse o ministro.

Justificativa brasileira

O Brasil votou no Conselho de Segurança da ONU contra a nova série de punições ao Irã por considerar que essas medidas fortalecem os setores que não desejam o diálogo, segundo o discurso da embaixadora brasileira na organização, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quarta-feira o novo pacote de sanções com os votos contrários do Brasil e da Turquia. "Não vemos as sanções como um instrumento efetivo. Com toda a certeza, vão provocar o sofrimento do povo do Irã e favorecer os que não querem que o diálogo prevaleça", disse a embaixadora brasileira.

Além disso, acrescentou, "experiências passadas na ONU, em especial no caso do Iraque, mostram que a espiral de sanções, ameaças e isolamento pode ter como resultado trágicas consequências".

A diplomata defendeu o acordo tripartite Irã-Brasil-Turquia, e afirmou que o governo brasileiro "lamenta profundamente" que "não tenha recebido o reconhecimento político que se merecia; não lhe deram tempo para que rendesse frutos".

Sanções aprovadas

Os 15 países do Conselho se reuniram para votar a proposta de resolução, resultado de cinco meses de negociações entre EUA, Grã-Bretanha, França, China, Rússia e Alemanha. As quatro potências ocidentais queriam medidas mais duras, inclusive contra o setor energético iraniano, mas Pequim e Moscou conseguiram diluir as punições previstas no documento de dez páginas.

Embora as novas sanções tenham sido suavizadas após negociações com a Rússia e a China - que têm poder de veto no Conselho de Segurança - elas reforçam ainda mais as medidas já existentes.

A resolução prevê restrições a mais bancos iranianos no exterior, caso haja suspeita de ligação deles com programas nuclear ou de mísseis. Estabelece também uma vigilância nas transações com qualquer banco iraniano, inclusive o Banco Central.

Além disso, ela amplia o embargo de armas contra o Irã e cria entraves à atuação de 18 empresas e entidades, sendo três delas ligadas às Linhas de Navegação da República Islâmica do Irã, e as demais vinculadas à Guarda Revolucionária.

A resolução estabelece também um regime de inspeção de cargas, semelhante ao que já existe em relação à Coreia do Norte.

Paralelamente à resolução, 40 empresas serão acrescidas a uma lista pré-existente de empresas com bens congelados no mundo todo, por suspeita de colaboração com programas nuclear e de mísseis do Irã.

Segundo a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, as novas sanções têm o objetivo de convencer o Irã a interromper seu programa nuclear e retomar as negociações. "Há uma séria de medidas sérias e compulsórias nesta resolução. Ela é forte e ampla e deve ter um impacto significativo no Irã", disse Rice.

Com Reuters

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