Lula busca estreitar laços em sua primeira visita oficial à Indonésia

Juan Palop Jacarta, 12 jul (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou hoje, em sua primeira visita oficial a Jacarta, estreitar os laços entre Brasil e Indonésia, dois países que compartilham desafios e projetos, mas que possuem pouca relação bilateral.

EFE |

A viagem de Lula à Indonésia, dentro de uma viagem asiática para aumentar a presença brasileira na Ásia, deu especial ênfase nas possibilidades dos biocombustíveis, um campo no qual os dois países são potências mundiais.

"Os países em vias de desenvolvimento com as características da Indonésia e do Brasil não deveriam analisar esta crise só como um problema", disse Lula, em entrevista coletiva, após seu encontro com o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono.

"Temos que ver este momento como uma grande oportunidade", acrescentou o presidente brasileiro, que ressaltou que a escalada dos preços da energia e dos alimentos não está ligada à produção de biocombustíveis, mas à especulação.

Neste sentido, destacou a assinatura de um acordo pelo qual os dois países se comprometem "a fomentar a cooperação mútua para o desenvolvimento de técnicas de produção de etanol", do qual o Brasil é um dos maiores produtores mundiais.

Susilo Bambang Yudhoyono disse à imprensa que a Indonésia enviará ao Brasil um grupo de especialistas para estudar o modelo de produção de etanol do país latino-americano.

Fontes diplomáticas brasileiras disseram à Agência Efe "que não se trata de um acordo comercial", mas "de caráter científico", pois seu fim "é aprofundar os intercâmbios de pesquisadores, publicações e conhecimento".

O acordo incide na importância da "transferência de conhecimento" entre equipes de pesquisa dos dois países no contexto global atual, que inclui a necessidade de "reduzir as emissões que provocam o efeito estufa" e de "promover o desenvolvimento sustentável".

As questões ambientais, como a mudança climática e os problemas de desmatamento, estiveram também presentes na agenda deste encontro.

Além disso, Lula e Susilo assinaram um segundo acordo que pretende promover a cooperação entre instituições no campo da educação, com o objetivo de "aprofundar o entendimento entre os dois países".

Esta iniciativa inclui a formação e capacitação de professores e pesquisadores, a troca de informação e experiências, as comunicações entre equipes de pesquisa e o incentivo à produção científica.

Além disso, os dois chefes de Estado assinaram um protocolo para facilitar os trâmites alfandegários de seus respectivos representantes diplomáticos no outro país.

Lula aproveitou também sua visita a Jacarta para se reunir com o presidente da Assembléia Consultiva Popular, Hidayat Nur Wahid, e com o porta-voz do Parlamento da Indonésia, Agung Laksono.

Depois, o presidente brasileiro presidiu um encontro entre membros das câmaras de comércio de ambos os países, que buscava fomentar o comércio bilateral.

O volume de troca comercial entre os dois países alcançou em 2007 os US$ 1,47 bilhão (950 milhões de euros), um aumento de 155% em relação a 2003, mas ainda muito longe de seu nível potencial.

"É incompreensível que não tenhamos participação em um país de mais de 200 milhões de habitantes como a Indonésia", disse Lula recentemente, e afirmou que a oportunidade de o Brasil ocupar um espaço no mercado internacional prevê diversificar seus contatos e produtos.

Com sua visita à Indonésia, o presidente brasileiro deu hoje por finalizada a viagem asiática, que o levou também nos últimos dias ao Vietnã e ao Timor-Leste.

Lula esteve nestes países após sua participação na cúpula anual do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) que aconteceu no início desta semana no Japão, e na qual, entre outros, se reuniu com o presidente americano, George W. Bush. EFE jpm/an

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