Lula assina acordos petroleiros e financeiros com a China

Marga Zambrana. Pequim, 19 mai (EFE).- Os Governos do Brasil e da China assinaram hoje cerca de dez acordos de financiamento, cooperação petrolífera, tecnológica e jurídica, durante o segundo dia da visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

EFE |

A assinatura foi presidida por Lula e pelo presidente chinês, Hu Jintao, que expressaram, em comunicado conjunto, sua vontade de fortalecer a associação estratégica entre China, terceira potência econômica, e Brasil, a 10ª.

Em matéria petrolífera, o acordo mais importante é o da concessão de um crédito de US$ 10 bilhões durante dez anos pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB, em inglês) à Petrobras, destinados a financiar investimentos relacionados à prospecção em águas profundas.

O acordo contempla um compromisso paralelo da Petrobras de aumentar suas vendas à Sinopec para 150 mil barris diários no primeiro ano de vigência e para 200 mil nos nove anos seguintes, exportação que será feita através da Unipec Asia, subsidiária da firma chinesa.

A Sinopec e a Petrobras assinaram um acordo de intenções para cooperar em prospecção, refinaria, petroquímica e bens e serviços.

Além disso, os dois Governos assinaram uma linha de crédito de US$ 800 milhões do CDB ao BNDES.

Outro documento creditício assinado hoje consiste em uma cooperação financeira entre o CDB e o Banco do Brasil - de quantia não especificada -, e um financiamento do banco chinês ao Itaú BBA no valor de US$ 100 milhões, a princípio destinados ao setor privado brasileiro para equilibrar as exportações com a China.

As duas partes assinaram um acordo de cooperação jurídica no âmbito civil e comercial, outro de cooperação em ciência e tecnologia, e um último entre o Ministério dos Transportes da China e a Secretaria Especial de Portos brasileira.

Neste âmbito, os dois Governos decidiram continuar a cooperação entre suas agências espaciais no âmbito de satélites, um setor no qual lançaram de forma conjunta três aparelhos.

Por último, as respectivas agências sanitárias assinaram um acordo para análises fitossanitárias destinadas ao comércio de carne brasileira.

A China se transformou em abril no principal parceiro comercial do Brasil, ao alcançar uma troca comercial de US$ 3,2 bilhões e superar pela primeira vez na história os Estados Unidos, que no mês passado contabilizaram uma troca de US$ 2,8 bilhões com os brasileiros.

Segundo dados oficiais brasileiros, o volume de comércio bilateral entre Brasil e China chegou a US$ 36,44 bilhões em 2008, o que representou 55,9% de aumento em relação ao ano anterior.

Mesmo em meio à crise financeira global, a troca comercial entre duas das maiores potências emergentes do mundo continuou crescendo, lembrou hoje o próprio Lula, para dar uma ideia do atual momento das relações bilaterais.

Em sua segunda visita de Estado à China, que coincide com os 35 anos de laços diplomáticos, Lula se reuniu hoje - além de com o presidente Hu - com o primeiro-ministro Wen Jiabao; com o vice-presidente, Xi Jinping; e com o líder do Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Jia Qinglin.

Lula assistiu antes à inauguração do Centro de Estudos Brasileiros, na Academia Chinesa de Ciências Sociais, grupo de acadêmicos que assessora o Executivo, e presidiu uma reunião de empresários chineses e brasileiros.

"Os empresários chineses veem grandes oportunidades no Brasil, por isso esta viagem representa um importante sinal por parte do Governo brasileiro que também considera a China como um parceiro estratégico", disse à Agência Efe Rodrigo Tavares, secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China. EFE mz/an

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