Brasília, 6 jul (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitará a viagem ao Japão, por ocasião da cúpula do Grupo dos Oito (G8, sete países mais industrializados e a Rússia) para empreender uma extensa viagem pela Ásia, que se estenderá por uma semana e o levará a Vietnã, Timor-Leste e Indonésia.

Lula deve chegar à ilha japonesa de Hokkaido na manhã de terça-feira, após uma longa viagem que começará hoje à noite e incluirá escalas técnicas nos aeroportos de Las Palmas (Espanha) e Ekaterinburgo (Rússia).

No mesmo dia, Lula participará da reunião do Grupo dos Cinco (G5), integrado por Brasil, Índia, China, África do Sul e México.

Na quarta-feira, participará do encontro entre os líderes do G5 e os do G8, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.

Segundo fontes oficiais, em todos os encontros Lula voltará a condenar os subsídios à agricultura nos países mais desenvolvidos e insistirá na defesa do etanol da cana-de-açúcar do Brasil, que considera uma alternativa limpa ao petróleo.

Ainda na quarta-feira, Lula se reunirá com os chefes de Estado e de Governo de Rússia, Índia e China, países que formam os chamados Brics (Brasil, Rússia, Índia, China), que tentam articular estratégias comuns para exercer influência no comércio mundial.

Na manhã de quinta-feira, Lula fará a primeira viagem de um chefe de Estado brasileiro ao Vietnã, onde terá um encontro privado com o presidente vietnamita, Nguyen Minh Triet, e depois se reunirá com autoridades do Partido Comunista.

O Vietnã é um dos grandes produtores de arroz do mundo, e Lula chegará a Hanói com uma grande delegação de empresários, que tentarão estabelecer programas de cooperação no setor agrícola e na área de bioenergia.

Sexta-feira, Lula visitará o Timor-Leste, país com o qual o Brasil mantém programas de cooperação em várias áreas e onde teve grande participação no processo anterior e posterior à independência da Indonésia, proclamada em 1999.

Lula se reunirá em Díli com o presidente timorense, José Ramos-Horta, com quem analisará a possibilidade do o Brasil ampliar um programa de formação de funcionários públicos e participar de planos para o treinamento de pessoal dos corpos de segurança.

Este último ponto é de interesse especial para o Timor-Leste, principalmente depois do atentado sofrido pelo próprio Ramos-Horta, em fevereiro.

Além disso, fontes oficiais brasileiras anteciparam que Lula anunciará a ampliação até 2010 do programa de cooperação em educação que mantém 50 professores brasileiros no Timor-Leste, atuando principalmente em alfabetização.

O giro de Lula pela Ásia termina no sábado na Indonésia, país com quem o Brasil tem uma crescente relação comercial e interesse em expandi-la nas áreas de biocombustíveis e aeronáutica.

Em Jacarta, Lula será recebido pelo presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, com quem deverá discutir um acordo de cooperação para a produção de etanol da cana-de-açúcar.

Na agenda, segundo fontes oficiais, também estará a possível venda de um número não precisado de aviões militares fabricados pela Embraer à Força Aérea Indonésia.

Trata-se especificamente do modelo Super Tucano, um turboélice de ataque e treinamento avançado, utilizado pelas forças aéreas de Brasil, Colômbia e Estados Unidos.

Após a visita a Jacarta, Lula segue de volta ao Brasil, aonde deve chegar na manhã da segunda-feira da próxima semana. EFE ed/wr/gs

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