Eduardo Davis. Belém (Brasil), 30 jan (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu hoje seu apoio para que o Fórum Social Mundial aconteça no Oriente Médio ou nos Estados Unidos.

Lula teve hoje em Belém (Brasil) uma reunião com quase uma centena dos 130 membros do Comitê Internacional do Fórum Social Mundial, que lhe expressaram sua vontade de realizar seu próximo encontro global em 2011 em algum país do Oriente Médio ou nos Estados Unidos.

Tanto a importância do conflito no Oriente Médio como o papel da maior potência da atualidade nos destinos do planeta estiveram na pauta do Fórum Social Mundial desde seu nascimento, em 2001, na cidade de Porto Alegre.

O sociólogo Cándido Grzybowski, um dos membros do fórum que esteve na reunião com Lula, disse que o presidente se comprometeu a oferecer o "apoio da diplomacia brasileira" para conseguir que, seja nos Estados Unidos ou em um país do Oriente Médio, os vistos necessários para os ativistas sejam facilitados.

No Comitê Internacional ainda não se tomou uma decisão sobre o décimo encontro do movimento contra a globalização, cuja nona edição, a atual, será encerrada em Belém no próximo domingo.

No entanto, Grzybowski disse a jornalistas que "90%" dos integrantes do comitê organizador está de acordo em que, em 2010, se celebre um "Dia de Ação Global" similar ao de 2008, que representa mobilizações em centenas de cidades do mundo, mas não um encontro único e global.

A razão é que a maioria dos movimentos sociais do fórum carece de meios econômicos para manter um ritmo tão forte de encontros anuais e também precisa de tempo para elaborar as propostas que são geradas em cada reunião, explicou Grzybowski.

Em uma breve conversa com jornalistas, Lula reiterou que este ano não acudiu ao Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), porque simplesmente optou pelo Fórum Social Mundial, a antítese do encontro de líderes e empresários realizado anualmente na cidade suíça.

"Não desisti de ir a Davos porque não anunciei que ia. Fui a Davos quando achei que era interessante ir e vim ao Fórum Social porque o achei mais interessante desta vez", declarou o presidente.

Já o presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, por sua vez, aproveitou seu último dia no Fórum Social para participar de um ato com ideólogos da Teologia da Libertação, uma corrente nascida na Igreja Católica latino-americana, condenada pelo Vaticano e da qual disse que "salvou" sua fé.

Lugo e os teólogos brasileiros Leonardo Boff e Carlos Alberto Libanio Christo (Frei Betto) condenaram o que qualificaram como "cultura do consumo" e propuseram a alternativa de "viver simplesmente, para que simplesmente todos possam viver".

O registro foi proposto por Boff em um ato no qual o ex-bispo Lugo o reconheceu como seu pai espiritual ao afirmar que, ao introduzi-lo nessa linha teológica, o salvou de acabar se transformando em um burocrata dos santos ofícios.

No mesmo ato, realizado em uma universidade de Belém, Frei Betto elogiou Lugo e comparou a "perseguição" sofrida pela Igreja Católica quando decidiu se dedicar à política com a qual teve como vítima ao próprio Jesús.

"Jesús foi detido, submetido a um julgamento político, torturado e condenado à morte. Seguindo esse exemplo, os cristãos sempre fizeram política, embora alguns em favor dos oprimidos e outros em favor dos opressores", declarou Frei Betto.

"Bem-aventurada seja a perseguição sofrida pelos teólogos da libertação e por ele mesmo", disse Lugo, confessando que graças a esse movimento religioso teve o olfato necessário para tomar o caminho que lhe indicava sua consciência.

Boff afirmou que hoje mais do que nunca os pobres sofrem e gritam por uma crise que atinge a maioria da humanidade, e criticou o fato de que "os poderosos" só buscam saídas para salvar seu próprio futuro, o sistema e suas riquezas. EFE ed/ma

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