Lula apóia apelo de Sarkozy por libertação de Betancourt

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou hoje, em nota à imprensa, solidariedade irrestrita ao chamamento do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que em pronunciamento fez um apelo para a imediata libertação da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e dos demais reféns em mãos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Redação com agências |

Lula, também de acordo com a nota, manifestou ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, seu "desejo de lograr, no mais breve prazo possível, uma solução humanitária" para a libertação dos reféns. Lula e Uribe conversaram por telefone para tratar da realização da próxima reunião de Chefes de Estado da Cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasur).

"O presidente Lula manifesta sua solidariedade irrestrita para com o chamamento do Presidente Sarkozy, na convicção de que é urgente salvar todos aqueles que se encontram em situação de risco extremo de vida", afirma a nota.

Ação humanitária francesa

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou hoje sua intenção de enviar uma "missão humanitária" para contatar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e chegar à refém Ingrid Betancourt com o respaldo do governo colombiano.

A afirmação foi feita após o chefe de Estado francês pedir ao chefe da guerrilha para libertar a ex-candidata presidencial e salvá-la da morte.

Horas após pedir em mensagem televisiva ao chefe máximo das Farc, Manuel Marulanda, para libertar Betancourt, que está "em perigo de morte iminente", Sarkozy ligou para o presidente colombiano, Álvaro Uribe.

Segundo o Palácio do Eliseu, Sarkozy comunicou a Uribe sua intenção de enviar uma missão humanitária para "contatar as Farc e conseguir acesso" a Betancourt.

O presidente francês pediu para que Uribe suspenda "todas as formas de operações militares" para garantir a segurança e o êxito da missão, sobre a qual o Palácio do Eliseu não deu detalhes.

Resposta colombiana

Da Colômbia, Uribe anunciou que as operações militares serão suspensas na zona escolhida para a missão humanitária, que será acompanhada pela Cruz Vermelha Internacional.

O secretário de Estado francês para Ultramar, Yves Jego, tinha indicado anteriormente que um dispositivo aéreo na Guiana francesa (Caribe) está preparado para intervir quando a ordem for dada.

Sarkozy também ligou esta noite ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para repassar com ele a situação dos reféns na Colômbia, indicou o Palácio do Eliseu, também sem mais detalhes.

Em sua mensagem ao chefe das Farc, Sarkozy disse que a França só aguarda um "sinal" para iniciar, "em contato com as autoridades competentes", uma "missão humanitária" para libertar Betancourt e os demais reféns.

"Basta uma decisão de sua parte para salvar uma mulher da morte e manter a esperança de todos os que continuam detidos. Tome esta decisão: liberte Ingrid Betancourt", pediu Sarkozy, advertindo Marulanda de que será "um crime" se ela morrer.

Antes da divulgação dessa mensagem, o presidente francês havia recebido os responsáveis pelo Comitê de Apoio a Betancourt, que lhe entregaram um pedido assinado por quase 600 mil pessoas a favor da libertação da franco-colombiana, seqüestrada desde fevereiro de 2002.

Segundo o Comitê, Betancourt está em greve de fome há mais de um mês . Além disso, a refém está com malária, leishmaniose e hepatite B.

O primeiro-ministro francês afirmou hoje que o país está disposto a conceder o estatuto de "refugiado político" a guerrilheiros das Farc que seriam soltos pela Colômbia em troca da libertação de Betancourt.

Na semana passada, Uribe assinou um decreto que autorizava a libertação de guerrilheiros em troca da refém e, no sábado, disse que a França estava disposta a acolher aqueles que libertassem a franco-colombiana e os demais seqüestrados

Entenda o caso Betancourt

Ingrid Betancourt, 46 anos, é uma senadora franco-colombiana seqüestrada durante sua campanha à presidência da Colômbia. Ela está em poder das Farc desde 23 de fevereiro de 2002 e é uma das 39 reféns que a guerrilha pretende trocar por 500 insurgentes presos em uma negociação de um acordo humanitário com o governo colombiano.

Apesar de o estado de saúde de Betancourt ser preocupante desde outubro, quando foi divulgado um vídeo no qual ela aparece abatida e muito magra, o temor por sua vida aumentou desde fevereiro, com os testemunhos de ex-companheiros de cativeiro e versões de colonos que acreditam tê-la visto em aldeias de Guaviare.

(*Com informações das agências EFE e AFP)

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