Lula anuncia plano de desenvolvimento da Amazônia e defende índios

Brasília, 8 mai (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje um plano para o desenvolvimento sustentável da Amazônia e defendeu as tribos indígenas do norte do país, que estão em conflito por posse de terras com empresários do ramo do arroz.

EFE |

Lula explicou que planos para o desenvolvimento sustentável supõem uma necessária defesa da biodiversidade, pois representam uma "vantagem comparativa para os produtos que o Brasil pretende vender a outros países".

Esse plano inclui investimentos na área de infra-estrutura, sobretudo em estradas, e a promoção de atividades econômicas voltadas ao aproveitamento do potencial específico de cada região da Amazônia brasileira, que possui fortes limitações ambientais.

Também propõe apoio financeiro aos Governos estaduais para a construção de escolas e projetos de inclusão social em uma região habitada por cerca de 24 milhões de pessoas, em sua maioria das classes sociais mais baixas.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, todos os programas incluídos na iniciativa serão negociados com os nove estados que formam a região amazônica, cujos governadores assistiram ao ato realizado hoje no Palácio do Planalto.

Fontes do Palácio disseram que a estratégia de desenvolvimento se dirigirá à geração de emprego, à redução das diferenças sociais, ao fomento de atividades econômicas com preocupação ambiental e ao uso sustentável dos recursos naturais, com preservação dos ecossistemas.

"Quem ousa dizer que nossos índios estão pondo em risco a soberania do país?", disse Lula a um auditório cheio, em uma clara mensagem a setores do Exército que criticaram abertamente a criação de uma enorme reserva na fronteira com a Venezuela.

Nessa reserva, conhecida como Raposa Serra do Sol, índios de diversas etnias estão em pé de guerra contra empresários arrozeiros que se negam a abandonar suas plantações, incluídas dentro da área que o Governo preservou para os indígenas.

Segundo Lula, o conflito é movido pela "ignorância" ou pela "falta de informação", e a criação dessa reserva indígena é uma prova de que "no Brasil, está se assumindo a Amazônia não só no discurso".

A reserva Raposa Serra do Sol ocupa 1,6 milhão de hectares, que equivalem a 7,7% de Roraima, e abriga cerca de 18 mil membros das etnias Macuxí, Taurepang, Wapixana, Ingarikó e Patamona, que estiveram representadas no ato de hoje.

Lula considerou que a criação de reservas indígenas realizada por seu Governo é equiparável à construção de infra-estruturas nos bairros populares das grandes cidades do país.

"Obviamente, se um índio não recebe nada do Estado, será tão rebelde quanto um cidadão de uma favela do Rio de Janeiro que não tem água potável nem saneamento", declarou o presidente.

Lula insistiu em afirmar, como em outras ocasiões, que o Brasil "sabe cuidar sozinho" da Amazônia e que não precisa de "conselhos" de Governos ou organismos estrangeiros preocupados com as taxas de desmatamento.

"Há gente que acha que a Amazônia é da humanidade e nós também achamos, mas devemos dizer em alto e bom som que quem cuida da Amazônia é o Brasil e que quem decide o que fazer na Amazônia é o Brasil", avaliou.

Segundo Lula, o Brasil "não está em condições de explorar ainda nem 10% da fauna, da flora e da biodiversidade da Amazônia", e que o mundo "pode ficar tranqüilo". EFE ed/rb/fr

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