Lula admite aumento limitado de tarifas sobre energia de Itaipu

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta sexta-feira, em Assunção, que está disposto a negociar com seu colega paraguaio, Fernando Lugo, suas reivindicações sobre a hidrelétrica binacional Itaipu, mas impôs um limite a um eventual aumento de tarifas.

AFP |

"Vamos negociar sobre tudo que for possível, porque queremos ajudar o Paraguai", disse Lula em breve declaração à imprensa em Assunção, onde assistiu à cerimônia de posse do ex-bispo Fernando Lugo.

"Itaipu tem uma reivindicação antiga dos companheiros do Paraguai, e vamos conversar sobre isso com eles", acrescentou.

No entanto, Lula impôs limites a um eventual reajuste das tarifas pagas pelo Brasil ao vizinho pela eletricidade procedente de Itaipu.

"Vamos ver qual é a demanda, porque qualquer aumento de tarifa para o povo brasileiro é complicado", avisou.

"Disse a Lugo que, quando quiser estabelecer uma pauta de negociação, estarei à sua disposição em Brasília para conversar sobre os acordos que temos de fazer com o Paraguai", acrescentou Lula, para quem é responsabilidade do Brasil "ajudar os países mais pobres da América do Sul e do Mercosul a se desenvolverem".

A central hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo em funcionamento, fornece 19% da eletricidade consumida pelo Brasil. O Paraguai utiliza apenas 5% da eletricidade produzida lá e vende o restante ao Brasil.

De acordo com as autoridades paraguaias, essa venda representa cerca de 300 milhões de dólares por ano. Assunção pretende aumentar esse número para cerca de dois bilhões de dólares.

O tema de Itaipu foi central na campanha paraguaia e ponto-chave no programa de Lugo. Na cerimônia popular de posse do novo presidente, Lula foi recebido pelos 15.000 paraguaios presentes aos gritos de "renegociação" e "Itaipu".

Lugo, de 57, assume o governo tendo na pauta outro tema pendente com o Brasil, do qual boa parte de sua economia depende: a situação dos "brasiguaios", como são chamados os cerca de 200.000 brasileiros que vivem no Paraguai.

Boa parte desse grupo se dedica a atividades de produção agrícola para a exportação. Muitos, nas áreas de fronteira, denunciaram invasões de terra de organizações populares em nome da reforma agrária defendida pelo novo presidente.

Lula declarou que também conversará sobre esse assunto com Lugo e pediu que seja respeitado "o marco regulatório e a legislação", além de chamar de "violência" invasões em terras legais.

"Não temos nada contra os brasileiros, mas sim contra as transnacionais e latifundiários que cultivam soja e utilizam agrotóxicos muito fortes, que não respeitam populações e provocam grandes problemas de saúde", disse à AFP o secretário-geral da Organização Nacional Camponesa, Angel Jimenez Lopez.

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