O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que aproveitará o encontro que terá com seu colega paraguaio, Fernando Lugo, na segunda-feira em Ponta Porã (MS) para discutir medidas conjuntas para combater a violência nas áreas fronteiriças. Sem dar detalhes, ele também afirmou que os dois devem anunciar medidas comuns para lidar com o problema.
A afirmação foi feita depois de um ataque, na segunda-feira, contra o senador paraguaio Robert Acevedo na cidade de Pedro Juan Caballero, capital do Departamento de Amambay, área de tráfico de drogas na fronteira com o Brasil.
A polícia do Paraguai anunciou a prisão de quatro brasileiros supostamente envolvidos no atentado, que feriu o senador e matou seu guarda-costas e o motorista. Segundo a polícia paraguaia, os brasileiros presos seriam de São Paulo e podem estar vinculados a grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas que operam no Brasil.
"Acho uma insanidade alguém achar que utilizando a violência, atirando no senador e matando seu segurança ou o ameaçando venha a deixar com medo o Estado brasileiro e o Estado do Paraguai", afirmou Lula.
O presidente disse que recebeu informações sobre as relações entre grupos criminosos que atuam no Paraguai e no Brasil e pretende conversar seriamente com Lugo. "Segunda-feira me encontrarei com Lugo para conversar seriamente sobre o que está ocorrendo na fronteira. Tenho umas informações primárias da inteligência brasileira", disse o após seu encontro com o líder da Venezuela, Hugo Chávez.
"Não faremos nada no Brasil até entrarmos em acordo com Lugo para discutir o que podemos fazer conjuntamente para ter paz e construir bases de desenvolvimento no Paraguai", acrescentou o governante.
O chefe de Estado do Brasil respondeu dessa forma a uma pergunta sobre as supostas relações entre a guerrilha Exército do Povo do Paraguai (EPP), o Primeiro Comando da Capital e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Segundo os meios de comunicação, quatro integrantes do PCC teriam participado do ataque contra Acevedo, que ocorreu na cidade de Pedro Juan Caballero, que é separada de Ponta Porã apenas por uma avenida.
O atentado aconteceu no segundo dia de vigência do estado de exceção decretado por 30 dias pelo governo paraguaio para combater a violência em cinco departamentos do país, dos quais três estão na fronteira com o Brasil.
A medida excepcional tem como objetivo intensificar a busca dos integrantes do EPP, que, segundo a Promotoria paraguaia, foi instruído pelas Farc para realizar sequestros e outros atos ilícitos nas regiões de floresta desses departamentos.
Armas de guerra
O governo paraguaio estuda um projeto de lei que permitirá aos militares o uso de armas de guerra em casos de crise interna, sem necessidade de que seja declarado o estado de exceção, anunciou nesta quarta-feira o assessor governamental Emilio Camacho.
A proposta abreviará os trâmites para situações que exijam a mobilização das Forças Armadas e será enviada ao Congresso para ser votada.
Lugo supervisionou nesta quarta-feira a mobilização de 3 mil efetivos do exército e da polícia em Concepción, a 500 km ao norte da capital, que serão encarregados da captura de insurgentes do EPP.
*COM EFE, AFP e Reuters
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