ASSUNÇÃO (Reuters) - O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, tenta recompor seu ministério, nesta sexta-feira, depois da renúncia da futura chanceler do país, na primeira crise enfrentada dentro da coalizão que toma posse em agosto. O afastamento de Milda Rivarola foi confirmado na noite de quinta-feira pelo futuro secretário de Comunicação da Presidência, Augusto dos Santos, o qual acrescentou que o presidente eleito ainda analisa os nomes dos possíveis substitutos.

Entre os candidatos ao cargo encontram-se o embaixador do Paraguai no Líbano, Alejandro Hamed, e Miguel Saguier, ex-chanceler e senador pelo Partido Liberal.

Lugo enfrentou seu primeiro conflito interno a pouco mais de um mês de tomar posse. A desavença ocorreu após a nomeação do ex-senador liberal Carlos Mateo Balmelli como diretor da parte paraguaia da hidrelétrica de Itaipu.

A escolha de Mateo para ocupar um dos cargos mais importantes da administração pública do país criou mal-estar tanto dentro do Partido Liberal como em alguns setores da esquerda que fazem parte da Aliança Patriótica para a Mudança, a coalizão que venceu as eleições de abril.

Rivarola, socióloga de 52 anos e membro do partido social-democrata País Solidário, renunciou por discordar da nomeação de Mateo, com quem deveria trabalhar para renegociar junto ao Brasil o tratado relativo a Itaipu, uma das principais metas do governo de Lugo.

Hamed, historiador de ascendência síria, disse a meios de comunicação paraguaios que foi chamado para conversar com o futuro presidente a respeito do cargo. Mas o embaixador não adiantou se aceitaria ou não o convite.

Saguier, de outro lado, afirmou não ter recebido nenhuma oferta oficial para ocupar a chancelaria. Porém, mostrou-se inclinado a aceitar o posto.

O senador comandou o Ministério das Relações Exteriores durante o governo do presidente Luis González Macchi (1999-2003) e foi um dos responsáveis pela adesão dos liberais à campanha de Lugo.

Em declarações dadas a jornalista, Saguier lamentou a renúncia de Rivarola, mas minimizou a crise surgida dentro da coalizão. 'Creio que não se trata de uma crise, mas sim de uma diferença de opinião com respeito às nomeações. Lamentamos isso. No entanto, não se trata de uma situação capaz de colocar em risco a coalizão', acrescentou.

(Reportagem de Mariel Cristaldo e Daniela Desantis)

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