Assunção, 15 abr (EFE) - Uma gripe afastou hoje o ex-bispo Fernando Lugo da campanha eleitoral faltando cinco dias para as eleições no Paraguai, enquanto o chefe de Estado, Nicanor Duarte, denunciou planos destinados a tumultuar o dia das votações.

Lugo retornou na noite passada a Assunção com um quadro febril de uma viagem no último fim de semana pelo leste do país e à região do Chaco (oeste), disseram à Agência Efe fontes da Aliança Patriótica para a Mudança (APC).

Os médicos pediram que ele fique de repouso por 72 horas, embora as fontes não descartem que o ex-prelado reinicie nesta quarta-feira suas atividades proselitistas, já que no dia seguinte deve terminar sua campanha nas praças do Congresso, em Assunção.

Lugo, suspenso "a divinis" pelo Vaticano após renunciar a seu estado clerical para se dedicar à política, é apoiado pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), segunda legenda eleitoral do país, partidos minoritários e organizações sociais e de esquerda, que fazem parte da APC.

Já Duarte surpreendeu ao denunciar que os organismos de segurança têm informações de que "estão chegando vários estrangeiros, especialistas em agitação social", provenientes do Equador, da Venezuela e da Bolívia para provocar incidentes em caso de uma derrota de Lugo.

O ex-bispo lidera todas as pesquisas com pelo menos seis pontos de vantagem sobre a candidata do governamental Partido Colorado, Blanca Ovelar, e o general reformado Lino Oviedo, líder da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace).

"O Governo vai se reservar as medidas cabíveis para evitar que gerem violência no Paraguai", afirmou Duarte em um ato público realizado em Caaguazú, 200 quilômetros ao leste da capital .

Nesse sentido, afirmou que "as Forças Armadas sairão para fazer ações de cobertura de cooperação com a Polícia Nacional em todo o país" e advertiu de que não vão "tolerar nem permitir qualquer abuso ou desmando de grupos políticos do partido que for".

Duarte responsabilizou "Fernando Lugo e seu cúmplice, Luiz Federico Franco Gómez", o presidente do PLRA e candidato à Vice-Presidência do país na chapa do ex-religioso, do "estado de confusão e de caos" que poderia ser registrado na jornada eleitoral.

"Aqui não vamos permitir que nenhum estrangeiro venha subjugar nossa soberania e muito menos servir interesses comprometidos com a violência", ressaltou o líder, ao assegurar que "verificaremos os antecedentes das pessoas que estão chegando da Venezuela, do Equador e da Bolívia".

Fontes militares entrevistadas pela Efe disseram que a segurança nos 232 distritos eleitorais do país será garantida pelas tropas e explicaram que os militares ainda não estão nos quartéis.

O chefe do Estado acrescentou que os dados indicam que em rádios comunitárias de alguns departamentos, como San Pedro (centro), estão sendo armazenados explosivos para realizar atentados, assim que for confirmada a vitória de Ovelar, segundo Duarte.

Ele acrescentou que a Procuradoria Geral da República já foi informada e que investigará as denúncias.

Por sua parte, Aníbal Carrilo, dirigente do Movimento Popular Tekojoja, que faz parte da aliança que apóia Lugo, rejeitou as acusações de Duarte.

A "intenção do presidente é assustar os eleitores, evitar que vão votar e, com isto, pretende melhorar as chances de sua candidata que certamente ficará em terceiro nestas eleições", afirmou.

Por outro lado, dirigentes da APC anunciaram hoje que pelo menos dez mil paraguaios que moram na Argentina viajarão a partir desta terça em trens, ônibus e em caravana de carros para votar em Lugo, depois que o Governo paraguaio decretou feriado na sexta-feira 19 e na segunda-feira 21 para os cidadãos que figuram nos censos.

Em recente entrevista à Efe, o ex-prelado sustentou que estão "calculando que seriam entre 10 mil e 20 mil paraguaios que estão habilitados e terão possibilidades reais de vir votar em 20 de abril". EFE lb/db

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