Publicidade
Publicidade - Super banner
Mundo
enhanced by Google
 

Lugo sonha com uma grande pátria latino-americana e um Paraguai respeitado

O presidente eleito paraguaio, Fernando Lugo, sonha com a grande pátria de uma América Latina integrada e sem fronteiras e declarou à AFP que se sente tranqüilo, embora com o ânimo agitado, ainda sem poder ver o Paraguai daqui a cinco anos.

AFP |

"Continuo sonhando com a grande pátria, com uma América Latina integrada, sem fronteiras", declarou Lugo, vencedor das eleições paraguaias de domingo.

"Uma grande pátria que seja respeitada no contexto internacional. E sonho com um Paraguai respeitado pelas demais nações", disse minutos antes, em uma entrevista no estúdio da rádio local "Fé e Alegria".

"Quero continuar sonhando com os povos da América Latina", disse, citando vários presidentes da esquerda da região: "Com os povos de Correa, de Bachelet, de Tabaré", afirmou, referindo-se aos presidentes Rafael Correa (Equador), Michelle Bachelet (Chile) e Tabaré Vázquez (Uruguai).

"Também com o de Evo (Morales, presidente da Bolívia), que entrou em contato conosco às duas da manhã para saber o resultado de domingo e se colocou à nossa disposição", contou.

"Ou mesmo com Kirchner... e com Chávez", disse, referindo-se aos presidentes Cristina Kirchner (Argentina) e Hugo Chávez (Venezuela).

"E com a Nicarágua", acrescentou.

"Vamos tecer uma relação que será bastante positiva no futuro", adiantou. "O Paraguai não pode ser uma ilha afastada, deve se integrar ao continente".

"Minha primeira medida é uma que tenho cravada no coração: a de nossos povos indígenas", pela "dívida histórica que temos com eles, os verdadeiros donos originários desta terra", anunciou Lugo, que foi bispo de San Pedro (400 km ao norte de Assunção), região mais pobre do Paraguai.

"Chega de indígenas morrendo de fome, tuberculose ou falta de atenção", afirmou.

"A partir de agora começa uma nova era da política paraguaia", disse.

"A história muda, cai o Partido Colorado, mudam as estruturas" do Paraguai, afirmou o ex-bispo, que derrotou a governista Blanca Ovelar, pondo fim aos 61 anos de poder colorado, incluindo os 35 de ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

"O Partido Colorado governou para um grupo seleto de paraguaios. Isso acabou, e um governo para todos os paraguaios começa", assegurou Lugo, que venceu com 40,8% dos votos contra 30,8% de Ovelar, ex-ministra da Educação do atual presidente Nicanor Duarte.

"Que acabe isso de que é preciso ser colorado para trabalhar como funcionário público", acrescentou, ressaltando que seu governo será "aberto, honesto, transparente".

"Creio que é a primeira vez no Paraguai que um governo entrega o poder a outro de tendência diferente sem derramamento de sangue", frisou.

Lugo -declarado bispo rebelde e suspenso "a divinis" por envolver-se com a política- também comentou suas relações com a hierarquia da Igreja Católica. "Cada vez que me fazem essa pergunta sinto uma pontada no coração", disse nos estúdios da "Fé e Alegria", uma rádio católica.

"Temos relações fecundas, históricas, que não foram esporádicas. À noite conversamos com sacerdotes e membros de muitas comunidades, que também são a Igreja, não apenas as hierarquias", disse.

Fernando Lugo disse à AFP que ainda não está em condições de prever o futuro.

"Ainda não posso ver" o Paraguai daqui a cinco anos, afirmou.

"Estou tranqüilo, embora tenha o ânimo acelerado. Tranqüilo e desejando descansar, mas ainda não posso", afirmou, e saiu para a rua, saudando as pessoas que o aguardavam.

pz/dm

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG