Lugo se diz disposto a negociar com outros grupos fora de sua coalização

Assunção, 23 abr (EFE).- O futuro presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, anunciou hoje que está disposto a negociar com outros grupos, à margem da coalizão opositora que o ajudou a chegar ao poder, para garantir a governabilidade do país.

EFE |

Lugo admitiu que seu suporte eleitoral, a Aliança Patriótica para a Mudança (APC), integrada por vários partidos e grupos sociais e políticos de diferentes ideologias, não assinou nenhum pacto com relação à governabilidade.

"A Aliança continua, o povo a considerou como uma aliança simplesmente eleitoral que terminaria no dia 20 de abril. Vamos fortalecendo nossa unidade visando a governabilidade", afirmou o ex-bispo em entrevista coletiva.

O presidente eleito do Paraguai informou que por enquanto existem apenas conversas, mas nenhum acordo concreto por escrito entre os integrantes da Aliança.

Em suas declarações, Lugo não descartou a possibilidade de outros grupos aderirem à aliança para que "a governabilidade seja realmente eficiente", e se torne uma realidade a partir de 15 de agosto, data na qual assumirá o comando.

Analistas do país prevêem que Lugo deverá pactuar com outras formações como a do general reformado Lino Oviedo ou da facção do Partido Colorado liderada pelo ex-vice-presidente Luis Castiglioni, que se transformou em um inimigo político declarado do chefe de Estado do país, Nicanor Duarte.

Castiglione diz ter sido vítima de uma fraude nas eleições primárias do Partido Colorado, nas quais concorria com a candidatura presidencial Blanca Ovelar, apoiada por Duarte e derrotada por Lugo no domingo passado com dez pontos de vantagem.

Segundo dados provisórios, o ex-vice-presidente terá vários legisladores leais dentro do Partido Colorado, que no Senado será a maioria, enquanto Oviedo ficará em terceiro lugar em termos de representatividade, atrás do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), suporte eleitoral de Lugo.

"A constituição do Parlamento, que ainda não foi definida, será de suma importância para garantir a governabilidade", disse Lugo.

Por outro lado, o ex-bispo rejeitou a possibilidade de promover uma lei de imprensa como sugeriram alguns membros da Aliança e destacou que está "totalmente de acordo com a liberdade ampla e contra o monopólio estatal ou privado dos meios de imprensa".

O futuro presidente esclareceu, além disso, que uma aproximação diplomática com a China "é bastante complexa", já que um processo desse tipo "passa também pelo Congresso", embora tenha destacado que a mudança de Governo em Taiwan, que tem o Paraguai como único aliado político na América do Sul, "abre uma nova perspectiva". EFE lb/fb

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