Lugo registra filho e oposição critica ocultação de paternidade

Assunção, 14 abr (EFE).- O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, reconheceu hoje, legalmente, o filho de quase 2 anos que teve quando ainda era bispo, ao passo que a Igreja Católica pediu perdão pelos pecados do chefe de Estado e a oposição voltou a criticá-lo por ter escondido o fato de ser pai.

EFE |

"Lugo quebrou seu compromisso eclesial, por um lado, e seu compromisso com o povo, por outro", afirmou o legislador José López Chávez, num dos vários ataques a Lugo proferidos durante a sessão na Câmara dos Deputados.

O deputado, do Partido União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), terceira maior legenda do país, disse que a situação que envolve o presidente não é condizente com "a vida saudável, consagrada a Deus, que vendeu durante sua campanha política".

Por sua vez, Carlos Soler, do nanico Partido Pátria Querida (PPQ), afirmou que o ex-bispo se expôs a um julgamento político, já que, durante a campanha, várias vezes negou a paternidade que seus adversários lhe atribuíam. Além disso, o legislador lamentou o fato de alguns governistas terem classificado como "corajosa" a atitude do governante.

No mesmo sentido se pronunciou o senador do PPQ Miguel Carrizosa.

Para ele, Lugo "deveria dizer de uma vez só a quantidade de filhos que tem, para que não haja mais dúvidas a respeito".

O encarregado de ir hoje ao cartório registrar o menino Guillermo Armindo Carrillo como filho de Lugo foi o advogado deste, Marcos Fariña.

"O que está sendo feito é o reconhecimento de Guillermo Armindo como filho de Lugo", disse a jornalistas o diretor do cartório onde foi feito o registro, Oscar Víctor Benítez, que explicou que a adição do sobrenome deve ser requerida na Justiça.

O advogado do presidente também disse que Lugo pedirá a restituição de parte de seu salário, que havia sido integralmente doado a obras sociais, para pagar a pensão do menino.

O salário do chefe de Estado paraguaio é de 15.980 guaranis (US$ 3,2 mil), quantia que, desde a posse, em 15 de agosto de 2008, Lugo entrega ao Instituto Nacional do Indígena (INDI).

Também hoje, outro advogado, Ivan Andrés Balbuena, pediu, em nome da mãe de Guillermo, Viviana Carrillo Cañete, que a Justiça desconsiderasse o processo de filiação apresentado na semana passada, supostamente com a assinatura da mulher, na localidade de Encarnación, 370 quilômetros ao sul de Assunção.

"Esclareço à senhora juíza (Evelyn Peralta) que o processo foi apresentado sem minha autorização", já que estava "em conversas extrajudiciais a fim de obter o reconhecimento voluntário", diz o pedido do representante.

A mulher alega que foi surpreendida em sua boa fé quando, em 8 de abril, soube "que os advogados Walter Acosta e Claudio Kostinchok resolveram apresentar" a ação sem seu "expresso conhecimento", destaca o texto.

Já a Igreja Católica, por meio do Conselho Episcopal Permanente da Conferência Episcopal Paraguaia (CEP), pediu perdão pelos "pecados" de seus membros e que estes orem para que se mantenham "fiéis à missão sacerdotal". EFE lb/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG