Lugo quer fim do mito sobre existência de bases militares dos EUA no Paraguai

La Paz, 15 jun (EFE).- O presidente eleito do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, afirmou hoje que ao assumir o cargo em agosto abrirá as fronteiras de seu país aos investigadores para acabar com o mito de que existem bases militares americanas no país.

EFE |

As declarações de Lugo foram feitas em uma coletiva de imprensa no Palácio do Governo de La Paz, depois de se reunir com o presidente boliviano, Evo Morales, em meio a uma viagem que o levará também a Equador e Venezuela.

Lugo está na Bolívia desde ontem quando participou junto ao ainda presidente paraguaio, Nicanor Duarte, de alguns atos em celebração do fim da Guerra do Chaco (1932-1935).

O ex-bispo afirmou hoje que quando assumir o Governo abrirá "todo o país para qualquer tipo de investigação, a jornalistas e investigadores, para que realmente se possa acabar com o mito que diz que há bases militares americanas no Paraguai".

Segundo Lugo, em seu país há membros do Exército dos EUA que realizam "ações humanitárias" e "exercícios militares", mas negou que exista uma "base militar" que opere no Paraguai com influência sobre nações vizinhas.

"Nós, como paraguaios, negamos isso e queremos abrir todas nossas fronteiras para quem deseje. Que vão à região Marechal Estigarribia, que se instalem lá, que vejam o que há. Possivelmente ficarão surpresos de que não existe nenhuma base militar americana", afirmou Lugo.

Consultado sobre suas relações com o Governo dos EUA, o ex-bispo disse que quer manter vínculos com todas as nações, desde que sejam "respeitosas, eqüitativas e justas". Segundo ele, "os momentos do imperialismo já terminaram para a América Latina no século XXI".

Sobre a proposta lançada no sábado pelo presidente Morales durante os atos sobre o fim da Guerra do Chaco, Lugo fez comentários cautelosos.

Lembrou a iniciativa do Brasil de criar um Conselho de Defesa sul-americano, que para ele é um fórum aberto de discussão sobre temas militares e "não de integração militar".

"Queremos observar este processo no Paraguai. Não queremos repetir iniciativas que depois tenhamos que lamentar", comentou Lugo que disse ainda que em "termos militares" seu país não cogita a hipótese de possíveis conflitos bélicos na região.

A formação desse conselho de segurança não foi concretizada na reunião entre presidentes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) no final de maio. O organismo deu três meses para que seja debatida tecnicamente a proposta rejeitada pelo Governo colombiano.

Sobre a política energética, o ex-bispo voltou a afirmar durante a coletiva de imprensa em La Paz que não há possibilidade de fazer nacionalizações em seu país, porque a geração de energia é produzida de acordo com acordo binacionais, com Argentina e Brasil.

No entanto, reivindicou a realização de um debate sobre a recuperação da "soberania hidroelétrica" nas geradoras de Itaipu que seu país tem com o Brasil e a de Yacyretá com a Argentina, com "respeito e da racionalidade".

Lugo também foi homenageado hoje na cidade de El Alto, onde recebeu as chaves da cidade, e deve se reunir com o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, antes de continuar sua viagem que o levará a Equador e Venezuela. EFE ja/rr

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