Assunção, 20 abr (EFE).- O ex-bispo Fernando Lugo quebrou hoje uma hegemonia de 61 anos do Partido Colorado no Paraguai, ao ganhar as eleições presidenciais com uma apreciável vantagem sobre a governista Blanca Ovelar, segundo os primeiros resultados oficiais.

Apuradas 85,21% das mesas eleitorais Lugo tem 651.992 votos, 40,72% das cédulas apuradas, de um total de 12.190 mesas, de acordo com dados provisórios do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE).

Pouco antes dessa variação, Lugo apareceu perante milhares de seguidores reunidos em frente ao posto de comando da Aliança Patriótica para a Mudança (APC) para cumprimentá-los e dizer a eles que "os pequenos também estão capacitados para vencer"· "Obrigado por nos acompanhar desde o início nesta experiência pequena de escutar o povo, nesta experiência humilde", afirmou Lugo à multidão, a qual qualificou como "culpados pela alegria da maioria do povo paraguaio hoje".

Em contrapartida, nas fileiras do Governo reinava o mais absoluto silêncio depois da aparição pública de Ovelar para afirmar que tinha sido registrado um empate técnico e que as eleições "vão ser definidas por uma margem escassíssima".

Fontes oficiais anunciaram que o chefe de Estado, Nicanor Duarte, dará uma mensagem à nação na residência presidencial de Mburuvichá Roga, onde "não entram nem saem veículos", afirmou o jornalista de uma emissora de rádio.

No entanto, alguns admitiram a derrota como o ex-líder Juan Carlos Wasmosy (1993-98), que declarou: "As diferenças são muito grandes, perdemos catastroficamente" no departamento (estado) de Amambay, nordeste do país.

A sinceridade de Wasmosy, delegado eleitoral do Partido nessa região, contrastou com a veemência do influente senador Juan Carlos Galaverna, no momento em que ainda não se conheciam os dados oficiais afirmou que os dados de boca-de-urna "são uma fraude à boa fé da cidadania".

Lugo, quem em sua época de bispo de São Pedro (centro), a região mais pobre do Paraguai, foi considerado como referente da Teologia da Libertação no país, conseguiu congregar em torno de sua figura uma coalizão liderada pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA).

Enquanto o PRLA é tradicionalmente uma força de direita pactuou na Aliança com vários partidos de esquerda, inclusive radicais, e organizações civis muito afastadas de sua ideologia.

O general reformado Lino Oviedo, também candidato presidencial nestas eleições, reconheceu publicamente o triunfo de Lugo e assegurou que o apoiará se responder aos interesses do povo.

O empresário Pedro Fadul, do Partido Pátria Querida (PPQ), segunda força da oposição e que neste pleito aparece em terceiro lugar, muito afastado dos outros dois, anunciou que cumprimentará Lugo.

Tanto o ex-presidente da Colômbia Andrés Pastrana, que lidera uma missão da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (IFES, na sigla em inglês), como a ex-chanceler desse país María Emma Mejía, que lidera a delegação da Organização dos Estados Americanos (OEA), destacaram o comportamento dos eleitores.

"Foi uma jornada de festa, pacífica", disse Pastrana, ao reivindicar que os políticos estejam à altura dos cidadãos deste país, que, salvo incidentes isolados, acudiram tranquilamente aos lugares de votação.

O silêncio dos dirigentes "colorados" contrastava com a euforia dos seguidores de Lugo, que se concentraram em frente a seu posto de comando e agitavam as bandeiras dos diferentes partidos que integram a Aliança, em sua maioria de esquerda. EFE lb/ma

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