Lugo promete governar Paraguai sem cair na polarização regional

O ex-bispo católico Fernando Lugo, candidato de esquerda à Presidência do Paraguai, afirmou nesta sexta-feira que não teme fraude eleitoral e está confiante de que vencerá as eleições deste domingo; prometeu que sob seu governo o Paraguai evitará se posicionar em um dos pólos de esquerda regional, fará uma reforma agrária respeitando a Constituição e renegociará o preço da energia vendida ao Brasil.

AFP |

"Não acredito em eventuais cenários violentos. Estou convencido de que domingo será uma jornada tranquila" e que "vamos ganhar", afirmou Lugo, favorito nas pesquisas, durante coletiva à imprensa na qual evitou associações aos governos de esquerda da região.

"Hoje se considera de 'esquerda' os que estão distantes dos Estados Unidos, os que falam em um 'socialismo do século XXI', e os que falam como 'progressistas'. Nós queremos percorrer nosso próprio caminho mantendo boas relações com todos os países", disse.

"O Paraguai não cairá na polarização", mas "manterá um justo equilíbrio e sua identidade", afirmou Lugo, candidato da coalizão Aliança Pela Mudança (APC, sigla em espanhol).

"Queremos um país aberto ao mundo e aos grandes desafios da modernidade, e essa é uma das tarefas que realizaremos depois de domingo", garantiu na sede de sua campanha, ao lado de cartaz que dizia "Sem cultura este país é uma ditadura", "Cultura em primeiro lugar!" e "Artistas pela mudança".

Questionado sobre a reforma agrária, respondeu que a Constituição paraguaia "garantirá a propriedade privada, mas também que todos tenham o direito à própria terra".

"Vamos fazer uma reforma agrária planejada e negociada com todos os setores envolvidos. Não podemos fazer uma reforma que gere processos traumáticos ou violentos", afirmou.

"Não podemos relacionar reforma agrária a processos de expropriação" nem "cair na expropriação pela expropriação", acrescentou.

O ex-bispo, que aderiu à Teologia da Libertação e aposentou a batina em 2006 para disputar a presidência, lidera as pesquisas de opinião com 34% das intenções de voto, seguido do ex-general Lino Oviedo, com 29% e a candidata do governo Blanca Ovelar, ex-ministra de Educação do atual presidente Nicanor Duarte, que está em terceiro, com 28,5%.

Ouvido sobre a incorporação da Venezuela ao Mercosul, aceita pela Argentina e o Uruguai, mas pendente de aprovação pelos parlamentos do Brasil e do Paraguai, Lugo afirmou: "Muitas vezes identificamos nosso país com nossos governantes, quando na realidade somos administradores temporários".

"Algumas pessoas têm perguntas para o mandatário Hugo Chávez, e não para a Venezuela. Eu pessoalmente acredito na integração latino-americana", ainda que "com regras claras" ressaltou.

O ex-bispo prometeu também renegociar a maneira como o Paraguai vende a energia elétrica da represa binacional de Itaipu ao Brasil para estipular "um preço de mercado".

"A energia não está sendo vendida ao Brasil por um preço justo porque é valor de custo e não o de mercado", frisou.

"Ninguém dá energia a preço de custo. A Venezuela não vende seu petróleo a preço de custo. Assim como o Chile não dá o seu cobre e a Bolívia não vende o seu gás a preço de custo", acrescentou.

O Paraguai vende ao Brasil o excedente de sua parte da energia que não consome a um preço fixado em um acordo de 1973, quando ambos os países eram governados por ditaduras.

Lugo alega que os 300 milhões de dólares pagos pelo Brasil anualmente ao Paraguai são irrisórios quando na realidade deveria pagar entre 1,5 a 2 bilhões de dólares, a preço de mercado.

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