Com um apelo para que os eleitores paraguaios compareçam às urnas em menos de uma semana, o ex-bispo da Igreja Católica Fernando Lugo, candidato presidencial da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, em espanhol) e líder nas pesquisas de opinião, encerrou sua campanha com um comício em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil. A presença popular neste comício mostra que o povo já não tem medo e que nunca mais viverá de joelhos, disse ele, no domingo, sete dias antes da votação no dia 20.

"Vocês (eleitores) são nossos únicos patrões."
Uma nova pesquisa de opinião, realizada pela consultoria COIN a pedido do jornal Ultima Hora, indicou que o desempenho de Lugo melhora proporcionalmente ao comparecimento às urnas.

Se o comparecimento fosse de 65% dos eleitores - mesmo índice das últimas eleições, em 2003 - o ex-bispo venceria as eleições com uma diferença de 6 pontos percentuais para a segunda colocada, a candidata oficial Blanca Ovelar, do Partido Colorado, indicou a pesquisa.

Mas num cenário de menor participação (40%), de acordo com o mesmo instituto, Ovelar venceria com 34,1% dos votos, contra 31,4% de Lugo. Nesta simulação, o ex-general Lino Cesar Oviedo, dissidente do tradicional Partido Colorado que criou a legenda Unace (União Nacional dos Cidadãos Éticos), receberia 27,5% dos votos.

Por estes dados, a candidatura da ex-ministra da Educação está crescendo frente aos levantamentos anteriores. A de Oviedo permanece estancada.

Ovelar venceu a primária do Colorado numa disputa apertada com o ex-vice-presidente Luis Castiglioni, que criticou o resultado e decidiu não apoiá-la.

Na semana passada, uma pesquisa do Instituto de Ciencia e Arte (ICA) indicou que Lugo receberia 30,9% dos votos, mas com uma vantagem de apenas 0,8 ponto percentual de Ovelar. Outros levantamentos recentes mostraram Lugo à frente e Ovelar e Oviedo tecnicamente empatados.

O quarto candidato à sucessão do presidente Nicanor Duarte Frutos, candidato ao Senado pelo Partido Colorado, é o empresário Pedro Fadul, do Partido Pátria Querida, que costuma aparecer atrás dos três primeiros nos diferentes estudos de opinião.

Eleições inéditas
Essa é uma eleição inédita no Paraguai por ser a primeira vez que um sacerdote e uma mulher disputam a corrida presidencial. Além de contar com a presença de Oviedo, depois de ter deixado a prisão após uma disputa política e judicial.

Ele havia sido preso acusado de tramar um golpe contra o então presidente Juan Carlos Wasmosy, em 1996. Depois do exílio no Brasil, retornou a Assunção e foi detido. Liberado no ano passado, ele chegou a liderar as pesquisas de opinião.

Esta campanha eleitoral também está sendo marcada pela forte presença da hidrelétrica de Itaipu nos diferentes discursos eleitorais, principalmente no de Lugo, que pretende que o governo brasileiro faça uma revisão do tratado energético de 1973. Itaipu é hoje a principal fonte de riqueza do país, alegam todos os presidenciáveis.

Nas eleições marcadas para o próximo domingo, cerca de 2,8 milhões de eleitores paraguaios irão às urnas para eleger presidente, vice-presidente, senadores, deputados, governadores e vereadores, entre outros cargos.

Na reta final, o Partido Colorado, há quase 60 anos no poder, intensificou sua campanha. No fim de semana, a manifestação política foi a cavalo e com bandeiras vermelhas, como manda a tradição, pelo centro da capital do país.

Duarte Frutos e Blanca Ovelar também afirmaram que a candidatura oficial será a vencedora.

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