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Lugo pede perdão às vítimas da ditadura de Stroessner

Assunção, 28 ago (EFE) - O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, pediu hoje perdão, chorando, às vítimas da ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989) durante a apresentação do relatório da comissão que investigou os abusos aos direitos humanos cometidos sob seu Governo. Perdão, perdão em nome da Nação paraguaia, disse Lugo, que precisou interromper a leitura de seu discurso devido à emoção, ao que os presentes à apresentação do relatório final da Comissão de Verdade e Justiça (CVJ) responderam com aplausos. O ex-bispo de San Pedro, que assumiu em 15 de agosto a Presidência, é o primeiro governante do Paraguai que pede perdão pelos crimes da ditadura em público. O relatório toma como base o depoimento de 2.059 pessoas que sofreram abusos ou são parentes dos desaparecidos durante os mais de 35 anos da ditadura de Stroessner.

EFE |

Em contrapartida, o presidente da Corte Suprema de Justiça, Víctor Núñez, precisou suspender seu discurso durante esse ato, realizado no Teatro Municipal de Assunção, por causa da vaia e dos insultos dos presentes, que qualificaram o magistrado de cínico e "pyragué" (delator em guarani).

"Aceito as críticas feitas contra a minha pessoa", disse Núñez, antes de abandonar o palanque.

O relatório da CVJ afirma que o número de perseguidos durante a ditadura chegou a 128.076, dos quais 20.090 foram qualificados como vítimas diretas, entre elas 59 que foram "executadas" e 336 que desapareceram, enquanto outras 107.987 sofreram a repressão de forma indireta.

Lugo também pediu perdão pela "solidão à qual foram submetidos (os perseguidos)" e "por cada centímetro de dor que lacerou o território corporal, físico, anímico e espiritual dos combatentes de nossa pátria nova, enquanto outro país dormia a sesta insensível na convivência com uma ditadura vergonhosa".

"(O Poder Judiciário) Será capaz de honrar sua função, ajudando a fechar estas feridas abertas e sustentadas pela dignidade heróica das vítimas com o bálsamo da reparação histórica?", disse.

Durante o regime de Stroessner, foram realizadas 19.862 detenções arbitrárias, "das quais 18.772 incluíram alguma forma de tortura, e este último número constitui 94,5% dos que foram privados ilegalmente de sua liberdade", indica o relatório. EFE rg/db

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