Lugo insiste sobre conspiração e supostos envolvidos negam

Assunção, 2 set (EFE).- O Governo paraguaio insistiu hoje na existência de uma conspiração planejada pelo general reformado Lino Oviedo e pelo ex-presidente Nicanor Duarte, que asseguraram que o presidente Fernando Lugo foi enganado pelos que estão a sua volta.

EFE |

"Acho que mentiram para o presidente Lugo (...), isso chegou a ele e fez uma declaração apressada", afirmou hoje Duarte ao advertir que no ambiente de Governo há grupos que "crescem e se aproveitam ou que não têm outra maneira de se garantir a não ser inventando coisas, imaginando golpes, sabotagens".

Em sua primeira declaração depois da denúncia feita ontem por Lugo em mensagem à população, Duarte disse que no Paraguai não há nenhuma possibilidade de um golpe de Estado e que também chegavam a ele dados sobre complôs orquestrado entre gente próxima ao líder.

O ex-governante também desmentiu o autor da denúncia, o general Máximo Díaz Cáceres, que atua como intermediário entre as Forças Armadas e o Congresso, a quem chamou de "astuto e errático" além de afirmar que ele só não foi expulso em 2004 por pedido dos senadores Miguel Saguier e Carlos Filizzola.

Saguier é um influente dirigente do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA, centro-direita), suporte político de Lugo no Congresso, e Filizzola, do minoritário Partido País Solidário (PPS), é um dos mais próximos ao atual governante.

Oviedo, líder da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), terceira força política do país, negou ontem a conspiração e disse que, recentemente, foi visitado pelo general Díaz Cáceres que queria que intercedesse para sua ascensão.

"Lugo não sabe que a política é um ninho de víboras e tem as piores víboras ao seu redor", apontou Oviedo, cujo partido preside o Senado e o Congresso graças ao pacto que tinha acordado com a governista Aliança Patriótica para a Mudança (APC).

Oviedo admitiu, no entanto, que na noite de domingo recebeu Duarte para convidá-lo para um café-da-manhã de trabalho do qual participou nesta segunda-feira.

Em sua mensagem à nação, Lugo declarou que o general Díaz foi convidado primeiramente pelo titular do Congresso, Enrique González Quintana, à sua residência e que acabou sendo levado à casa de Oviedo, onde lhe perguntaram sobre a opinião dos militares a respeito da crise que o Senado atravessa.

A câmara alta está paralisada porque seu presidente permitiu que Duarte jurasse como senador ativo contrariando a decisão da maioria, controlada pelos aliados de Lugo e outros setores da oposição, incluindo um grupo de "colorados" contrários ao ex-chefe de Estado.

O ex-vice-presidente Luis Castiglioni, principal detrator de Duarte, afirmou que essa reunião "teve caráter conspiratório para, fundamentalmente, seguir desestabilizando" pela "obsessão e pela cobiça que Nicanor tem".

Esta maioria confirmou no Senado o substituto de Duarte, Jorge Céspedes, e reconheceu o ex-governante como senador vitalício, com voz, mas sem direito a voto, como é previsto pela Constituição.

A crise no Senado ocorre porque, apesar desta disposição constitucional, Duarte decidiu liderar a lista ao Senado pelo Partido Colorado nas eleições de 20 de abril, que foi vencida por Lugo à frente de uma plataforma de diferentes grupos.

O ministro do Interior Rafael Filizzola reafirmou hoje a denúncia de Lugo e pediu ao Congresso que analise a participação do procurador-geral do Estado, Rubén Candia, e do vice-presidente do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral, Juan Manuel Morales, nessa reunião.

Díaz Cáceres também apontou Candia e Morales como alguns dos presentes na casa de Oviedo.

O Governo "está fazendo a análise correspondente e serão impulsionadas medidas no âmbito parlamentar", disse Filizzola.

"Desde o momento em que o procurador-geral participou dessa reunião não temos muito entusiasmo de levar o caso a esse âmbito".

Filizzola avaliou, além disso, a preocupação que a denúncia de Lugo gerou na comunidade internacional e destacou que a Organização dos Estados Americanos (OEA) e vários Governos da região já se pronunciaram. EFE lb/bm/rr

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