Lugo inicia gestão com ato em região onde foi bispo e com apoio de Chávez

San Pedro de Ycuamandiyú (Paraguai), 16 ago (EFE).- O novo presidente do Paraguai, Fernando Lugo, começou hoje sua gestão com um ato popular na região onde já foi bispo e com a promessa de ajuda do chefe de Estado da Venezuela, Hugo Chávez, que clamou pela união latino-americana para uma verdadeira independência da região.

EFE |

Lugo, que durante 11 anos foi bispo da diocese de San Pedro (centro), a região mais pobre do Paraguai, disse que foram os pobres que pediram a ele que deixasse "o sacerdócio para ingressar na política e chegar à Presidência" e não "os banqueiros e os empresários".

O novo governante, que apresentou seus ministros, destacou que toda solidariedade internacional será bem-vinda em seu país, desde que não divida os paraguaios, e agradeceu a Chávez pelo presente recebido, uma réplica da espada de Simón Bolívar.

"Não sei o que fazer com o presente. Chávez me disse que Bolívar não a tinha utilizado, mas eu digo que vou usá-la, vamos usá-la, contra a corrupção, (...) contra os que roubaram o povo", assegurou Lugo.

Lugo e Chávez compareceram diante de uma multidão na praça adjacente à Catedral, uma igreja franciscana do século XIX, devido a um ato de posse do governador de San Pedro, José Ledesma.

O discurso foi precedido por uma missa de Adalberto Martínez, bispo de San Pedro de Ycuamandiyú, cidade 318 quilômetros ao norte de Assunção.

A nova autoridade regional é próxima a Lugo e pertence ao Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), segunda força eleitoral do país, e forte aliada da Aliança Patriótica para a Mudança (APC), coalizão que levou o presidente ao poder.

Lugo, cuja vitória no pleito de 20 de abril pôs fim a uma hegemonia de 61 anos no poder do Partido Colorado, fez a maior parte do discurso em guarani, idioma usado principalmente nas áreas rurais do Paraguai.

Em San Pedro predominam as ocupações de camponeses que se denominam sem-terra, que se multiplicaram depois que Lugo anunciou candidatura à Presidência.

Vários dos grupos de camponeses, alguns deles aliados do ex-bispo e que reivindicam terra própria, argumentam que as terras cultiváveis dessa região terminaram em poder de grandes cultivadores de soja, em sua maioria brasileiros.

Chávez, o único dos noves líderes que assistiram à posse de Lugo e acabou permanecendo no Paraguai para este ato, retomou as críticas contra o imperialismo e pediu que os países da região se unam para "uma verdadeira independência".

"Por acaso fomos independentes nestes 200 anos? Nunca fomos realmente independentes, mas chegou a hora de completar a nova independência", expressou Chávez.

"Só unidos, realmente unidos, podemos ser independentes", afirmou, ao citar grupos de organizações sociais de Argentina, Brasil e Uruguai que se juntaram ao ato popular.

"Se queremos ter uma pátria, verdadeira e grande, temos que nos unir. Nossos adversários tentaram impedir nossa união", ressaltou Chávez, ao criticar "a independência velha, que vai completar 200 anos".

No mesmo ato, Chávez prometeu o fornecimento de todo o petróleo que o Paraguai precisar e explicou que o abastecimento está incluído em uma carta de intenções assinada nessa região pelos chanceleres da Venezuela, Nicolás Maduro, e do Paraguai, Alejandro Hamed Franco.

"Assinamos o primeiro compromisso para fornecer ao Paraguai todo o petróleo que precise, até a última gota", disse o presidente venezuelano, garantindo o abastecimento de um país que com freqüência enfrenta problemas de provisão dessa commodity.

Lugo também se mostrou motivado com o projeto de cooperação e disse esperar que a parceria com o povo da Venezuela "não fique só na intenção". EFE jas/rr

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