ASSUNÇÃO (Reuters) - O presidente paraguaio, Fernando Lugo, foi enganado por pessoas próximas para denunciar uma suposta conspiração cujo objetivo era derrubá-lo, afirmou nesta terça-feira o ex-chefe de Estado Nicanor Duarte, apontado como um dos mentores do complô. Lugo agitou o cenário político local na segunda-feira, quando acusou Duarte e o general aposentado Lino Oviedo de pretenderem utilizar as Forças Armadas para atentar contra a institucionalidade, num ato que qualificou como de extrema gravidade, menos de três semanas após ter assumido o poder.

O presidente afirmou que um general de alto escalão foi convocado para uma reunião na qual participaram Duarte, Oviedo, o presidente do Congresso, o procurador-geral do Estado e um juiz do Supremo Tribunal Eleitoral, entre outros.

De acordo com Lugo, o militar, elo entre o Congresso e as Forçar Armadas, foi consultado secretamente por Oviedo acerca da posição dos militares sobre o conflito que mantém paralisado o Senado e que se desencadeou depois de questionado o juramento de Duarte como senador ativo.

'Há grupos cercando o presidente Lugo que, no velho estilo das ditaduras latino-americanas, inventam uma história de conspiração para preparar o caminho para repressão e o aniquilamento do adversário', afirmou Duarte à rádio Primero de Marzo, em sua primeira declaração pública depois da acusação de Lugo.

'Do medo do presidente se aproveitam grupos que tratam de controlar o sistema de segurança ou grupos políticos que não têm outra forma de se afirmar senão inventando coisas, imaginando golpes ou sabotagens. Creio que mentiram para o presidente Lugo', acrescentou.

A maioria dos mencionados pelo presidente como integrantes do golpe negaram sua participação, tanto que Oviedo -- ex-chefe do Exército e acusado de golpista -- disse que se encontrou com Duarte em sua residência para discutir acordos políticos parlamentares.

O governo afirmou que depois da denúncia recebeu solidariedade de países da região, especialmente do Mercosul, bloco comercial que integra junto com Argentina, Brasil e Paraguai.

(Reportagem de Daniela Desantis)

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