Lugo enfrenta reivindicações de paternidade e ameaças de julgamento em 2009

Assunção, 23 dez (EFE).- As reivindicações de paternidade de três mulheres escureceram em 2009 a gestão do presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, que, além disso, durante todo o ano enfrentou contínuas ameaças de julgamento no Parlamento para tirá-lo do poder, onde está há 16 meses.

EFE |

Em plena Semana Santa, quando Lugo ainda não tinha completado o primeiro ano de sua chegada à Presidência, duas mulheres geraram um escândalo que estremeceu o Governo, ao denunciar que tinham tido filhos de suas relações com o ex-bispo.

As acusações de paternidade contra Lugo alimentadas pelos "colorados" durante a campanha eleitoral foram confirmadas um ano mais tarde.

Na quinta-feira santa a imprensa divulgou uma denúncia tramitada em um juizado de Encarnación, no sul do país, por Viviana Carrillo, de 26 anos, para exigir que Lugo reconhecesse seu filho de dois anos, Guillermo Armindo, que nasceu em dezembro de 2006.

Apesar de ter desmentido as acusações oficialmente, Lugo reconheceu publicamente cinco dias mais tarde a paternidade da criança e houve uma escalada de boatos sobre a vida amorosa do ex-bispo.

O caso de Carrillo revelou que a mulher intimou Lugo quando era bispo em São Pedro, no centro do Paraguai, de onde também procede Benigna Leguizamón, que entrou em cena no dia 20 de abril com outro processo de paternidade, no qual afirma que foi seduzida quando trabalhava como faxineira da diocese e que dessa relação nasceu Lucas Fernando, no dia 9 de setembro de 2002.

Desde então, o governante evita falar do assunto, assim como sobre o processo aberto por Hortênsia Morán, uma professora de 39 anos que também recorreu aos tribunais para reivindicar que seu último filho, Juan Pablo, de 2 anos, também tivesse o sobrenome Lugo.

O escândalo foi ofuscado por ameaças de julgamentos políticos por parte da oposição e de um setor do principal partido da aliança governista, até que uma sobrinha do presidente reavivou o assunto ao assegurar que Fátima Rojas, uma jovem de 22 anos, também seria filha do presidente.

Mirtha Maidana, filha de Mercedes Lugo, irmã mais nova de Lugo e que exerce como primeira-dama, pediu que o líder passasse por um exame de DNA, algo que Lugo aceitou no caso do filho de Morán, no dia 16 de dezembro, um dia antes de Leguizamón desistir do processo.

Apesar de tudo isso, o líder de Estado não conseguiu safar-se do assédio da oposição que, com maioria no Congresso, não parou de ameaçar tirá-lo do poder por meio de um julgamento político parlamentar.

Escândalos de paternidade, suposta corrupção em processos de compra de terras e a falta de resultados no caso de um criador de gado sequestrado há mais de dois meses estão entre as causas de um possível processo contra o presidente.

Embora o próprio Lugo em entrevista à Agência Efe tenha assegurado não estar preocupado porque a oposição não tem motivos "reais" para o julgamento, a ameaça se intensificou com as declarações do vice-presidente Federico Franco, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), de direita e principal força da aliança governista.

Franco, acusado de "conspirar" contra Lugo, disse que o presidente "traiu" o eleitorado e que está "pronto" para substituí-lo. EFE lb-ja/pd/mh

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