Lugo diz ter argumentos para reivindicar maiores lucros em Itaipu

Assunção, 16 jul (EFE).- O presidente eleito do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, assegurou hoje ter argumentos para reivindicar junto ao Brasil maiores lucros com a hidroelétrica de Itaipu, que ambos os países compartilham sobre o rio Paraná.

EFE |

Lugo, que assumirá em 15 de agosto, disse à Agência Efe que seu país possui "os argumentos" que serão apresentados "quando aparecer a oportunidade" de dialogar com as autoridades brasileiras sobre o assunto.

"O que o Paraguai pensa sobre Itaipu, vamos dizer abertamente e esperamos chegar a um acordo com nosso sócio na construção e como beneficiado da energia", comentou Lugo, ao destacar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também expressou sua "predisposição de abertura".

As reivindicações paraguaias no aproveitamento dos recursos dessa represa foram o eixo da campanha eleitoral de Lugo, que nas eleições de 20 de abril passado acabou com 61 anos de Governo do Partido Colorado à frente de uma aliança opositora de amplo espectro ideológico.

Lugo reivindicou a revisão do tratado que em 1973 deu origem a Itaipu, a maior represa do mundo em funcionamento, para conseguir melhores benefícios, mas as autoridades brasileiras consideram que só pode ser revisado em 2023, ano em que expira o contrato.

O acordo de construção da hidroelétrica dividiu em partes iguais a produção de energia, mas não prevê a venda a terceiros e estabelece que o excedente de um dos dois países seja aproveitado por uma das partes a custo de produção.

Por isso, o Paraguai cede ao Brasil grande parte da energia que lhe corresponde abaixo dos preços de mercado.

Itaipu "não é um tema tabu, é um tema que deve ser enfrentado com amplitude, com abertura sem rumores", ressaltou Lugo, que indicou que "há uma ponte" de diálogo com Lula, com quem por ocasião de sua presença no país para sua posse espera anunciar "a data de uma série de reuniões" bilaterais.

"Estamos por um bom caminho, certamente promissor para nosso país (...), é possível reverter um pouco os benefícios para o Paraguai", apontou. EFE lb/rr

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