Lugo deverá estabelecer pactos para assegurar a governabilidade do Paraguai

Assunção, 3 mai (EFE) - O presidente eleito do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, deverá estabelecer pactos com outras forças políticas para resistir no Congresso à maioria do derrotado Partido Colorado e conseguir a governabilidade.

EFE |

Os "colorados", que nas eleições de 20 de abril perderam sua hegemonia de 61 anos no poder, ocuparão 15 das 45 cadeiras do Senado, à frente do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), segunda força eleitoral, que ocupará 14 lugares, segundo os resultados confirmados hoje.

O PLRA foi o suporte eleitoral de Lugo na Aliança Patriótica para a Mudança (APC), uma coalizão de amplo espectro político que reúne diversos partidos minoritários, agrupamentos sociais, camponeses, sindicais e de esquerda.

Em terceiro lugar ficou a União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), do general reformado e ex-candidato à Presidência Lino Oviedo, com 9 cadeiras, desbancando o Partido Pátria Querida (PPQ), que conseguiu apenas 4 cadeiras.

Nas eleições gerais de 2003, o PPQ e Unace ingressaram no Congresso com a mesma quantidade de representantes, embora o primeiro tenha tido uma ampla vantagem nas votações presidenciais.

Por sua parte, o Partido País Solidário (PPS), o Movimento Popular Tekojojá e o Democrático Progressista (PDP), todos aliados do ex-bispo, conquistaram ambos um lugar.

Na Câmara dos Deputados, com 80 membros, o Partido Colorado também conseguiu a maioria de 30 cadeiras, seguido pelo PLRA, com 29; pela Unace, que acumulou 15; pelo PPQ, com 4, e pelo PDP e pelo Tekojojá, com um representante cada.

Antes de ser formada a composição das câmaras legislativas, o vice-presidente eleito e titular do PLRA, Federico Franco, admitiu a necessidade de construir pactos e anunciou que a Aliança ofereceu cotas de poder tanto à Unace quanto ao PPQ.

Franco destacou que as negociações com o ex-chefe do Exército visam "compartilhar o poder com a oposição e conseguir maioria no Parlamento", devido ao fato de os demais aliados da coalizão só terem alcançado uma presença mínima no Congresso.

Na atual legislatura, a oposição e os grupos dissidentes do Partido Colorado se alternaram na Presidência da Câmara dos Deputados e do Senado para exercer um contrapeso ao chefe de Estado Nicanor Duarte.

O próprio Lugo também destacou que a composição do Parlamento "será de suma importância para garantir a governabilidade, que é uma grande preocupação de todos".

O futuro Presidente, que assumirá em 15 de agosto, também não descartou uma aproximação com o setor dissidente "colorado" liderado pelo ex-vice-presidente Luis Castiglioni, que se declarou inimigo político de Duarte.

Castiglioni, que afirma ter sido vítima de uma fraude nas eleições primárias do Partido Colorado, terá vários legisladores aliados em ambas as câmaras.

O ex-vice-presidente, que anunciou que terá sua própria bancada no Congresso, responsabilizou a candidata colorada, Blanca Ovelar, pela derrota eleitoral da legenda, e exigiu sua renúncia da Presidência do Partido Colorado, o que evidencia a fragmentação do partido.

Os vencedores das eleições, nas quais também foram eleitos os Governadores dos 17 departamentos (províncias) do país com suas respectivas juntas e 18 legisladores do Parlasur, o Legislativo do Mercosul, serão empossados no dia 23 de maio.

No entanto, as autoridades eleitorais não descartaram que o ato seja antecipado para o dia 15 de maio, devido à rapidez com que se realizou a apuração. EFE lb/iw/gs

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