Lugo critica declarações de general brasileiro que ameaçou ocupar Itaipu

Assunção, 21 out (EFE) - O governante paraguaio, Fernando Lugo, qualificou hoje de certa provocação as expressões do general José Elito Carvalho Siqueira, chefe da operação militar do Brasil na fronteira com o Paraguai, que disse que ocupará a hidroelétrica de Itaipu se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandar.

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Lugo disse a jornalistas que encarava essas expressões do general "com certa provocação", mas completou: "Tomara que seja somente a voz isolada, sem muita importância", de um membro do Exército.

O militar brasileiro declarou que, se Lula "determinar que uma ação deve ser realizada, ela será executada".

Em declarações publicadas no final de semana pelo site "DefesaNet", Elito fez referência a um eventual uso da força se as instalações da hidroelétrica Itaipu, operada em conjunto pelos dois países, for afetada "pela invasão de movimentos sociais ou outras ameaças".

O presidente paraguaio revelou hoje que tanto as manobras na fronteira quanto as declarações de Elito motivaram uma reunião com o ministro da Defesa, Luis Bareiro Spaini, e o chanceler, Alejandro Hamed, "para analisar e eventualmente verificar se houve exageros" no caso das operações militares.

A Operação Frontera Sul II, que começou no dia 13 e se estenderá até a próxima sexta-feira, mobiliza cerca de dez mil militares brasileiros ao longo das fronteiras com a Argentina, Paraguai e Uruguai para combater o contrabando e o tráfico de armas e drogas, entre outros crimes transnacionais.

O presidente admitiu que essas manobras "despertaram a sensibilidade" paraguaia, mas passaram despercebidas para as autoridades da Argentina e Uruguai, e assegurou que "a soberania nacional não foi violada".

"Se isto ocorresse, a reação paraguaia não tardará", assegurou o governante, que conseguiu que o Brasil instalasse uma mesa de negociações para discutir sua pretensão de obter maiores lucros com a exploração conjunta de Itaipu.

Antes, o vice-presidente do país, Federico Franco, qualificou de "absolutamente retrógradas" as declarações do general brasileiro e assegurou que as rejeita "categoricamente".

"Além disso, estou absolutamente convencido de que a Chancelaria ou o Ministério da Defesa vão pedir as explicações cabíveis", expressou Franco, do Partido Liberal Radical Autêntico, apoio político de Lugo no Congresso. EFE lb/db

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