Lugo assume Presidência paraguaia com promessa de combater pobreza

Ricardo Grance Assunção, 15 ago (EFE).- O ex-bispo Fernando Lugo tomou posse hoje da Presidência do Paraguai e tem como desafios combater a desigualdade e gerar empregos, embora tenha nomeado para o Ministério da Fazenda Dionisio Borda, que ocupou o cargo nos 21 primeiros meses do Governo de Nicanor Duarte e ficou famoso por seguir as receitas ortodoxas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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Apesar da nomeação de alguém experiente, Camilo Soares, futuro ministro da Secretaria de Emergência Nacional e uma das pessoas próximas a Lugo, disse à Agência Efe que um dos principais desafios do presidente eleito será a reforma econômica.

"O modelo econômico existente é o causador, dentre outras coisas, do aumento da emigração do campo para as cidades, o que, por sua vez, fez crescer a pobreza e a marginalidade em Assunção, em Ciudad del Este e Concepción (ambas na fronteira com o Brasil), em Encarnación (sul) e em nas localidades adjacentes", disse.

Para Soares, "apesar de o país ter registrado um crescimento econômico significativo nos últimos anos, isso não se refletiu nas classes mais desfavorecidas, por causa da concentração desse crescimento em grupos restritos".

"Os setores que mais cresceram no Paraguai foram os da soja mecanizada e da pecuária, que se baseiam em modelos que se caracterizam pela alta concentração de terras, pouca geração de empregos e poucos investimentos de capital", disse Soares, que faz parte do Partido do Movimento ao Socialismo (P-MAS), integrante da coalizão que levou Lugo ao poder nas eleições de abril.

Confrontadas com dados estatísticos, as declarações do titular da Secretaria de Emergência Nacional fazem sentido, considerando-se que, em 2007, a taxa de desemprego no Paraguai foi de 8,5% e a miséria atingia cerca de seis milhões de habitantes, 35,6% da população do Paraguai.

Para os 100 primeiros dias de sua Administração, Lugo anunciou um plano de contingência que prevê a decretação de estado de emergência na saúde e em outras áreas calamitosas.

Soares disse que esse projeto "será uma prova de fogo": "Com ele, vamos mostrar qual compromisso assumimos com o país, qual é a modalidade de trabalho que temos e quais vão ser os setores prioritários nestes cinco anos de Governo".

Um dos principais impulsores do "plano econômico e social" do próximo Governo é Borda, que já aplicou várias das receitas do FMI e que foi ministro da Fazenda durante parte do Governo de Duarte.

Em uma entrevista coletiva recente, Borda disse que o Governo de Lugo pretende "melhorar as condições de vida" aumentando "a segurança jurídica, a competitividade e a geração de emprego sustentável", e também reduzindo "a pobreza, a desigualdade e a corrupção".

Quando foi ministro de Duarte, Borda enfrentou uma situação financeira delicada e um país à beira da moratória, salvo graças a um acordo de contingência com o FMI.

As autoridades paraguaias não chegaram a fazer uso dos recursos, que inicialmente eram de US$ 73 milhões e, depois, subiram para US$ 97 milhões, oferecidos pelo órgão multilateral de crédito devido ao aumento dos níveis de poupança no país.

Borda acha que o Paraguai não precisa renovar seu acordo com o FMI, que termina no mesmo dia da posse de Lugo. Para ele, seu país atualmente tem reservas internacionais suficientes para superar qualquer crise financeira que surja. EFE rg/rb/sc

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