Lugo afirma que não intervirá em crise do Congresso paraguaio

Assunção, 29 ago (EFE).- O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afirmou hoje que não intervirá na crise que paralisa o Congresso e pediu ao ex-chefe de Estado, Nicanor Duarte, para que desista de sua intenção de assumir seu posto para dar uma saída ao problema.

EFE |

"O Congresso tem em suas mãos as ferramentas jurídicas para sair desta dificuldade (...). Volto a repetir, com isto perde todo o país", disse Lugo, reiterando perante jornalistas que não intercederá para buscar uma saída para a crise nesse plenário.

Ele disse também que "Duarte deve ir para casa, para dar paz e tranqüilidade à cidadania".

A crise no Senado começou após o juramento de Duarte como senador eleito pelo Partido Colorado no pleito geral do dia 20 de abril perante o presidente da Casa, Enrique González Quintana, na terça-feira passada.

Mas o juramento do ex-presidente foi invalidado poucas horas depois em uma sessão convocada pela maioria, que confirmou além disso o "colorado" Jorge Céspedes como substituto de Duarte.

Os ex-presidentes paraguaios se transformam automaticamente em senadores vitalícios, com voz mas sem voto, mas Duarte decidiu se apresentar como cabeça de lista do Partido Colorado ao Senado nas eleições de abril e isso gerou a atual crise.

Lugo também reiterou hoje que o ex-presidente é "senador vitalício" e voltou a mencionar que "há uma ilegitimidade de origem em sua candidatura" ao Senado.

A crise no Senado subiu de tom durante a sessão da véspera na qual devia se definir a situação de Duarte e que acabou sendo suspensa sem que se chegasse a um acordo por González Quintana, que argumentou desordens na sala para encerrar a sessão.

Duarte assinalou depois desta sessão que se Lugo deseja destravar a crise deveria convocar os líderes dos grupos parlamentares.

A maioria no Senado é formada pela Aliança Patriótica para a Mudança, que apóia o ex-prelado, o opositor Partido Pátria Querida e os opositores do ex-presidente no "coloradismo".

A APC é liderada pelo centenário Partido Liberal Radical Autêntico, de centro-direita e segunda força eleitoral, e integrada por vários grupos minoritários de esquerda.

Na minoria se engloba, entre outros partidos, a União Nacional de Cidadãos Éticos, liderada por Lino Oviedo, que por um pacto com a APC em prol da governabilidade colocou um de seus homens, González Quintana, na Presidência da Câmara Alta. EFE rg/ma

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