Lugo afirma na ONU que terrorismo deve ser erradicado do mundo

Nações Unidas, 24 set (EFE).- O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afirmou hoje na Assembléia Geral da ONU que o terrorismo deve ser erradicado do mundo, pois não existe nada mais desvinculado da civilização que o terror como profissão.

EFE |

"O terrorismo que mata as crianças de fome, das armas em qualquer lugar, o dos agrotóxicos, o terrorismo que matou nossos irmãos das Torres Gêmeas, que continuará matando amanhã enquanto a guerra continuar sendo um negócio para poucos ou fanatismo continuará cobrindo de nuvens os nossos corações", disse em seu discurso.

O presidente paraguaio fez uma forte defesa do fortalecimento da ONU para que os grandes temas internacionais sejam debatidos e "não seqüestrados por outros órgãos nos quais as decisões adotadas estão limitadas a um pequeno grupo de países".

Lugo também citou a crise financeira internacional, assunto que tem dominado a Assembléia Geral, para apontar que é produto de "especulação imoral, movida pelo único afã de lucro, que privatiza os ganhos e socializa os custos das economias de mercados não regulados".

O presidente paraguaio afirmou que a única forma de relações econômicas vendida à América Latina através do mecanismo de mercado - a especulação financeira da década de 1980 - endividou o continente, e a minimização do papel do Estado, que aumentou a pobreza, "estão provadas como prescrições impostas e equivocadas".

Lugo, que assumiu a Presidência do Paraguai em 15 de agosto, destacou como um fato histórico de solidariedade na América Latina a rápida defesa de Governos eleitos democraticamente, como é o caso da Bolívia, feita no contexto da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Entre suas prioridades de Governo citou que continuará apoiando a criação do Banco do Sul com o intuito de assentar as bases da autonomia financeira regional e a consolidação da Unasul.

Lugo disse que seu Governo, o primeiro a não ser do Partido Colorado em mais de seis décadas, constitui uma resposta inequívoca a demandas acumuladas e oportunidades perdidas nas últimas décadas e que o país se integra "aos ventos de mudança democrática na região".

O presidente paraguaio também afirmou que a questão dos países em desenvolvimento sem saída para o mar é fundamental para a política externa do Paraguai.

As assimetrias geradas por esta situação serão compensadas apenas com o reconhecimento internacional e outorga um tratamento especial e diferenciado na inserção do país no mundo globalizado, disse.

No plano mundial, Lugo apelou às nações que lideram os projetos agrícolas a compartilharem os problemas dos pequenos produtores locais, que "se vêem enrolados por novos modelos instalados com a arrogância da imposição".

Lugo participará hoje em Nova York de uma cúpula extraordinária da Unasul convocada pela presidente do Chile, Michelle Bachelet. EFE va/wr/fal

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