Lugo admite que processo de mudança no Paraguai será lento

Madri, 3 set (EFE).- O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, admitiu em entrevista à revista católica Vida Nueva, que o processo de mudança no país após as eleições em que saiu vencedor será lento.

EFE |

"Seremos realistas, não somos demagogos, vamos começar uma mudança que será lenta", disse Lugo na entrevista, que será publicada amanhã, na qual acrescenta que o processo "não será traumático", apesar da necessidade de mudar estruturas políticas e judiciais obsoletas e herdeiras de um sistema corrupto.

"Durante muitos anos, a política aqui foi um exercício para lucro pessoal. Esta foi a prática tradicional dos partidos e, assim, esses mesmos vícios são os que mantiveram o país durante mais de 60 anos em uma situação indesejável, que é a que estamos agora", explica.

"É muito tempo, e o problema está espalhado e afeta muitas estruturas", acrescenta Lugo, que afirma que as "mudanças também terão a ver com as pessoas, com a forma na qual uma pessoa se aproxima da política e se relaciona com ela".

Por isso, o presidente paraguaio ressalta que "a paciência dos cidadãos será de grande importância no processo".

"O problema do nosso contexto é que a sociedade paraguaia é conservadora; o Parlamento é um Parlamento conservador, de direita", disse Lugo sobre a realidade das instituições do Paraguai e sobre como podem influir nos processos de mudança.

"O Poder Judiciário é (...) submisso, politizado, não é independente; e as instituições gerais do Estado também. Enquanto isso não mudar e caminhar para uma independência de poderes, todos esses elementos conspiram contra uma mudança real", argumentou Lugo.

Perguntado sobre as razões do "empobrecimento crônico" do país com uma potencial riqueza energética tão grande, Lugo atribuiu isso a "submissão e corrupção". EFE mvf/wr/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG